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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Memória a Francisco Sá Carneiro

Faz hoje 32 anos que faleceu, Francisco Sá Carneiro. Um dos grandes líderes e mentores da política portuguesa, será assim para sempre recordado. Que a sua morte incerta nos faça procurar incessantemente a clareza e transparência, quer seja na política, no mundo do jurídico e mesmo nas nossas vidas.
Nada poderei mais dizer em seu elogio e que com isto não se recuse a minha admiração, mas sim se saiba que a sua virtude e erudição estão acima dos meus louvores e que dada a sua tão grande e memorável fama, qualquer congratulação a mais seria como “abrir uma porta aberta”.
 
Termino, a citar uma frase sua, proferida em 1969 que me inspira na minha ação cívica e politica: A intervenção ativa é a única possibilidade que temos de tentar passar do isolamento das nossas ideias e das teorias das nossas palavras à realidade da atuação prática, sem a qual as ideias definham e as palavras se tornam ocas. Trata-se, portanto, de um direito e de um dever que nos assiste como simples cidadãos, pelo qual não nos devemos cansar de lutar e ao qual não nos podemos esquivar a corresponder.

domingo, 25 de novembro de 2012

As pessoas de hoje...


O ser humano de hoje, esta em grande parte dissociado dos valores porque outrora sonhou pautar-se, bem como o mundo em que vive, esta diferente do que ambicionava no início. O individualismo reina nas nossas relações interpessoais, a empatia cede perante o egoísmo, e o amor perante a raiva. A tendência do homem em dar mais de si, ser melhor e maior, parece hoje uma ilusão perante as constantes notícias de guerra e divergência em todo o mundo. Não é só na esfera mundial, é também no nosso país. Em Portugal, a pobreza, a mendicidade, os roubos, as tristezas aumentam. As pessoas não se ajudam, não se preocupam mais com as outras. O engano, a indiferença reina, e hoje, apesar de temos casas maiores, fábricas, pontes, aviões, redes sociais, somos pessoas mais pequenas, mais fechadas no nosso progresso pessoal, esquecidas de olhar para o outro.

 “O egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade, as pequenas covardias do cotidiano, tudo isto contribui para essa perniciosa forma de cegueira mental que consiste em estar no mundo e não ver o mundo, ou só ver dele o que, em cada momento, for suscetível de servir os nossos interesses José Saramago.
Somos pequenos, bastante pequenos, e estamos cada vez mais distantes uns dos outros. Escondemo-nos das nossas responsabilidades e, por instantes, sonhamos não tê-las. Perdemos tempo a pensar em tal coisa… Precisamos de nos unir, construir e edificar a nossa sociedade em bases mais fortes e não nos velhos e gastos alicerces de hoje. Só com uma sociedade mais unida, podemos chegar a consenso sobre as soluções para os problemas em que nos encontramos. Precisamos urgentemente de nos descobrir a nós, e para tal o outro é imprescindível. Precisamos de recuperar os valores que hipotecamos, revisitar o fado e o teatro português, parar de importar cultura enquanto deixamos a nossa apodrecer. Precisamos de nos ajudarmos mutuamente, de deixar o egocentrismo e o egoísmo para andarmos para a frente. Afinal de contas, é isso mesmo que precisamos…andar para frente.

domingo, 18 de novembro de 2012

O "ASPIRADOR FINANCEIRO" E A TRANSFERÊNCIA DO RISCO – A PONTE VASCO DA GAMA

As Parcerias Público Privadas (PPP's) são uma via alternativa de realização de iniciativas públicas, centradas no investimento infraestrutural e na restruturação dos modelos de prestação de serviços públicos, com base na participação de capitais privados. São, por isso, a manifestação inequívoca da “tendência [da Administração] para o recurso a formas jurídico-privadas de organização e de atuação administrativa”, de que nos fala Maria João Estorninho, em Fuga para o Direito Privado.

Este mecanismo que surge inicialmente no Reino Unido, com a designação de PFI (Private Financial Iniciative), surge com o objetivo triplo de: aumentar a capacidade de financiamento do setor público, melhorar a qualidade dos serviços públicos, de que dependem as contratações do Estado com privados e, por último, diminuir a despesa pública, aproveitando a competência e capacidade da iniciativa privada. Como refere Adrien smith, na sua obra Privatized Infrastructure, a PFI, representou quer um passo na caminhada do programa de privatizações, quer uma alteração significativa na forma de as autoridades públicas garantirem a satisfação de necessidades públicas a um menor custo, superando as problemáticas condições de negligência e desperdício do setor público, quer ainda um renovado marco na história do financiamento de infraestruturas públicas no Reino Unido.

Para além dos vetores supra mencionados, acrescentamos ainda que, comumente, são indicados outros vetores e objetivos - tão ou mais importantes - das PPP’S, como: a transferência da responsabilidade e dos riscos de financiamento dos investimentos de capital para o setor privado, bem como a garantia de uma melhor gestão dos riscos associados.


Tendo arrancado com o Governo conservador de John Major - sucessor de Margaret Tatcher e das suas políticas de privatização realizadas pela simples venda de ativos públicos - a PFI evoluiu para a realidade atual com o primeiro Governo do New Labour. Desde então, a política PFI/PPP tem constituído um amplo segmento de desenvolvimento de projetos públicos- recorrendo à participação de capitais privados - ganhando dimensão á escala Mundial. Abriu-se, assim, o caminho a uma contratação do tipo “Design-Building-Finance-Operate (DBFO), onde os operadores privados respondiam pela conceção, construção, financiamento e exploração dos empreendimentos, sendo o ressarcimento do investimento inicial e dos custos de exploração assegurados pelas receitas geradas através de tarifas pagas pelos utentes.

Com o objetivo de aumentar a capacidade de atravessamento do rio Tejo e evitar um esforço financeiro inicial significativo por parte do Estado, o projeto da ponte Vasco da Gama assumiu-se num esquema de project finance em modelo de DBFO, supra referido. Tendo em vista uma maior eficiência operacional, redução de custos, maiores garantias no cumprimento de prazos, menor esforço do OE e a diminuição do peso da dívida pública o contrato – de consórcio internacional privado - foi celebrado entre o Estado Português e a Lusoponte S.A. (Decreto-Lei n.º168/94 de 15 de Junho) tendo por objeto não só a conceção, construção, financiamento, exploração e manutenção da Ponte Vasco da Gama, mas também a exploração e manutenção parcial da Ponte 25 de Abril, a fim de assegurar o ressarcimento da concessionária mediante cobrança de portagens aos utentes de ambas as pontes (Artigos 7.º e 9.º do contrato de concessão).Estamos perante um contrato misto, que correspondeu no que toca à ponte Vasco da Gama a uma concessão de obra pública explorada em regime de portagem e no que toca à ponte 25 de Abril, a uma concessão de exploração de um bem do domínio público. Regra geral, é próprio destes contratos, que uma vez concebidos e executados de forma adequada, promovam uma grande vantagem para o ente público, permitindo assim realizar tamanhos investimentos sem o dispêndio inicial de recursos, deixando para o privado os riscos de financiamento do projeto.

O financiamento da obra, inicialmente com um Valor total de 897 milhões de euros, foi concedido sob um esquema de “Buid-Operate-Transfer” (BOT). Este modelo de financiamento, é concebido - e citamos a explicação disponível ao público no website da Lusoponte S.A -“ (…) habitualmente com uma mistura de financiamentos de entidades privadas através dos seus acionistas, empréstimos bancários e, algumas vezes, por meio de financiamentos públicos. Os acionistas assumem os riscos, recebendo como contrapartida pelos seus investimentos dividendos, enquanto a recompensa subsequente do Estado é obter uma infraestrutura que de outro modo teria de ser financiada a partir do seu orçamento.”. Desta forma o projeto da Ponte Vasco da Gama foi financiado pelo Fundo de Coesão da União Europeia (319 milhões de Euros - 35%), empréstimo do Banco Europeu de Investimento (299 milhões de Euros - 33%), portagens cobradas na Ponte 25 de Abril (50 milhões de Euros - 6.0%) e por último por “acionistas, apoios do governo, etc” (229 milhões de Euros – 26%). Nestes termos, esteve em causa um projeto que, não obstante a comparticipação do Estado, correspondeu a um modelo autossustentável financeiramente, no sentido de os capitais afetos pelos investidores, serem recuperados e remunerados, com base nos ganhos resultantes da cobrança de portagens.

O equilíbrio económico-financeiro previsto no contrato, assentou num modelo de financiamento – Caso Base – que se consubstancia numa estimativa de fluxos financeiros a gerar durante a fase de exploração, em que se basearam os contraentes para aceitarem celebrar o contrato. Foi a expetativa de rendibilidade que serviu de suporte à fixação do tempo de concessão das duas pontes, a fim de garantir a recuperação do capital investido e a obtenção de lucro. Estando também prevista a antecipação do termo do contrato - que seria de 33 anos -,assim que os empréstimos fossem integralmente pagos e o volume de tráfego total acumulado em ambas as pontes atingisse o número de 2.250 milhões de veículos.

No tocante à transferência do risco para o parceiro privado, foi verificado – numa primeira fase, como veremos mais à frente - o aspeto nuclear de um contrato de PPP, onde o privado assumiu o risco de procura, incluindo o risco de redução ou transferência de tráfego dos atravessamentos rodoviários nas travessias para outras formas de atravessamento do Tejo (artigo 62.º do contrato de concessão). Apesar disto, no contrato (artigo 8º) existe uma cláusula de exclusividade, que mitiga o risco e concede à Lusoponte S.A. o exclusivo de atividades de concessão, designadamente a construção de uma terceira ponte, o que na verdade constitui “um monopólio natural [atribuído] à Lusoponte S.A., reduzindo-lhe de forma substancial o risco de tráfego” como refere Maria Eduarda Azevedo em As Parcerias Público Privadas: Instrumento de uma Nova Governação Pública.

No período entre 1995 e 1999, foram introduzidas diversas modificações unilaterais do Estado na atividade objeto de concessão, uma vez que tinha sido demonstrado que o risco de tráfego na Ponte 25 de Abril era quase nulo, o que constituía um desequilíbrio do modelo do Caso Base. Assim, entre a decisão do não aumento das portagens da Ponte 25 de Abril estiveram a isenção de portagens no mês de Agosto bem como a atribuição de descontos por utilização frequente da Ponte. Contudo - ao que parece - esta situação causou um – pretenso - desequilíbrio financeiro, o que levou à celebração de acordos para restabelecer os rendimentos iniciais, como previsto no artigo 180.º alínea a) do Código do Processo Administrativo. Estes acordos, não se ficaram só pelo pagamento de compensações financeiras. A prorrogação do prazo da concessão- por mais dois anos - e o aumento extraordinário das taxas de portagem foram algumas das estipulações acordadas.

Isto posto, entendemos que acabou por ocorrer a transferência do risco para o concedente, uma vez que foi este a assegurar grande parte dos níveis de rendimento auferidos pela Lusoponte S.A. Na verdade o Tribunal de Contas - no seu Relatório de Auditoria n.º 31/2000 - sustenta que as receitas reais efetivamente obtidas excederam de forma significativa as que tinham sido previstas no Caso Base, uma vez que o tráfego real foi superior ao estimado. Entendemos que todo o processo, apesar de curta e brevemente exposto, representou uma transferência de risco para a Administração, invertendo-se e violando uma dos princípios basilares do modelo de PPP – o da transferência do risco para o privado.

Referimos ainda - a título de mero interesse - a Auditoria Cidadã à concessão para a construção da Ponte Vasco da Gama elaborada pelos engenheiros Alexandre Romeiras e José Carlos Ferreira, que fornece uma clara e transparente análise de “todo” o processo. Na auditoria afirma-se que o investimento dos privados é cerca de 6% da obra a quem o estado, a título de reequilíbrio financeiro, pagou 250 mil euros, portanto muito mais do que o investido. Aponta-se ainda que não foi o contrato inicial que foi substancialmente mal feito, mas sim as suas alterações e reequilíbrios que foram sempre feitos em prejuízo da parte pública, subvertendo-se a cláusula da transferência do risco. Os engenheiros concluem ainda que havendo 21 anos de pagamentos pela frente, a Lusoponte S.A afigurou-se como um “grande aspirador financeiro”.

Terminamos assim, esta breve exposição deixando uma última nota á consideração do leitor. O contrato de concessão celebrado entre o Estado Português e a Lusoponte S.A, foi assinado pelo Ministro das obras públicas Transportes e Comunicações, Joaquim Ferreira do Amaral. Agora, adivinhe quem é o atual presidente da Lusoponte S.A. Sim é isso mesmo, o ex-ministro de Cavaco Silva, Joaquim Ferreira do Amaral… Já dizia George Orwell, “ver o que está à frente do nariz requer uma luta constante”. Provavelmente, tinha razão!
 
(exposição para a cadeira de Direito Administrativo)

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Uma verdade inevitável…


Quando por momentos saímos do nosso pequeno mundo de afazeres infindáveis, pensamos… Pensamos que estamos neste sítio maravilhoso, mas que este sítio, será por nós contemplado por pouco tempo, o que nos leva a pensar que somos “só mais um” ser a habitar este planeta, um ser que se limita a passar o tempo com mais ou menos tarefas, embebido numa rotina individual...Nesse momento, numa brevidade rara de introspeção, por não querermos ser “só mais um”, desejamos deixar a nossa marca no mundo. Parece-me a mim uma inevitabilidade querer deixar uma marca nossa no mundo! Sabemos que isso é possível, porque a nossa memória histórica mais ou menos desenvolvida consegue recordar pessoas como, Bell com o telefone, Edison com a lâmpada, os irmãos Lumière e Georges Méliès com o cinema, Leonardo da Vinci com a pintura (entre outros domínios), os irmão Montgolfier com o balão de ar quente, Fleming com a penicilina, Martin Luther King na luta contra o racismo, e poderíamos enumerar muitos mais seres que mudaram o mundo e marcaram o rumo da humanidade. Nessa atura pensamos que queremos também que a geração vindoura se lembre de nós e queremos marcar o rumo da história, quer seja pela descoberta da cura para uma doença, da luta por um ideal, da invenção de uma nova tecnologia, de uma obra de arte… por qualquer coisa. Mas infelizmente esse pensamento passa demasiado rápido para o levarmos a sério e voltamos ao nosso pequeno mundo de afazeres. Por segundos, cada um de nós pensou que era possível mudar o mundo de determinada forma, mas por qualquer razão, nada fazemos para tal. Será o sonho demasiado grande? Não pensamos nisso, pois estamos cegos! Cegos numa geração standardizada, com os mesmos gostos, as mesmas opiniões, os mesmo hobbies, as mesmas roupas, as mesmas músicas… Enfrentamos uma perda de identidade tremenda que se manifesta pela última vez que abrimos um livro de literatura portuguesa, visitámos um museu, fomos ao teatro ou assistimos a uma sessão de fados! Na verdade esta perda de identidade é transversal a esta geração. Uma geração que não procura conhecer a história, não procura seguir a cultura e conhecer o património de um povo que outrora foi bravo, uma geração sem sede em conhecer, em intervir na sociedade, em criar opinião e em simplesmente pensar pela própria cabeça, criando novas ideias e tendências… Inevitável e tristemente, fazemos parte de uma geração, onde não existe um sentimento de pretensa a uma mesma comunidade. Sentimento este, causado pela tendência individualista que nos impede de querermos verdadeiramente contribuir com os nossos sonhos, projetos e ideias para um mundo que não parece nosso, mas que de fato o é…

terça-feira, 16 de outubro de 2012

A Anestesia do IVA

Até hoje, pareceu-me que o povo Português por mais descontente, deprimido, ultrajado, roubado ou ofendido se sinta, continuava, insistentemente, a tirar de toda a problemática equação, o imposto comunitário. Quero com isto dizer que o imposto sobre o valor acrescentado, parecia ter-se tornado uma prática reiterada com convicção de obrigatoriedade na visão dos portugueses! Sendo um imposto indireto sobre o consumo e não sobre o rendimento, pode até parece que “nos causa menos trastorno”! Mas tal consumação é meramente o efeito anestésico do imposto Europeu.
 
Hoje, particularmente a manifestação contra o IVA taxado a 23% fez, para mim, todo o sentido. Os Empresários do setor da Restauração,pedem a descida do IVA para os 6%, para evitar despedimentos na ordem dos 100mil trabalhadores. A minha opinião pouco releva para o assunto, de todo o modo aqui fica: todos conhecemos a designada Curva de Laffer, e pela análise da curva conseguimos perceber que existe um nível de carga tributaria em que simplesmente a receita tributária deixou de compensar o aumento dessa mesma carga e, por isso, começa a reduzir. Esse é precisamente o efeito contrário do objetivo de uma subida de impostos! Efeito esse, que me parece estar a ocorrer. Parece-me, de fato, haver um sufoco na possibilidade de compra, por isso tenho de me curvar perante a ideia, pois acredito piamente, que uma descida do IVA, numa altura destas, na Restauração é a única medida capaz de salvar o setor!

domingo, 30 de setembro de 2012

Um debate (in)evitável

A minha intolerância manifesta-se com mais e mais veemência, com o acumular de tudo o que passa no país e é demostrado na comunicação social. Pergunto-me se as pessoas que se manifestam contra este Governo e contra a Troika sabem o porquê do País estar neste estado? Aliás, não vejo o porquê de não de elencar algumas questões, na tentativa de consciencializar algumas mentes iludidas.
 
Comecemos…
 
Sabia que este modelo de Estado Social foi criado numa altura em que havia 28 idosos por 100 jovens e que hoje existem 119 idosos por 100 jovens?
 
Sabia que em 1970 havia cerca de 250.000 pensionistas e hoje há para cima de 3.500.000?
 
Sabia que as despesas com a segurança social em 1970 eram 2.9% do PIB e em 2010 eram de 13.4%?
 
Sabia que 1970 estávamos a crescer cerca de 6% do PIB e hoje a nossa economia simplesmente não cresce?
 
Sabia que o índice sintético de fecundidade era 3.0% em 1970 e hoje é 1.32% ?
 
Sabia que a corrupção em Portugal têm aumentado muito ao longo dos tempos e que 57.9% dos processos de corrupção são arquivados por insuficiência de indícios probatórios quanto ao crime? Sabia que parte da culpa do aumento da corrupção é dos cidadãos que se demitiram da política e do seu consequente dever de intervir no processo político?
 
Sabia que a Bélgica afirmou não ter condições para apresentar oito estádios para o Euro 2000 e a opção foi unir-se à Holanda, contribuindo cada país com quatro? Sabia que o nosso PIB, era inferior ao dos países em questão e construímos 10 estádios para o euro 2004 e que muitos desses estádios estão agora à venda?
 
Sabia que os altos juros da dívida que teremos de pagar ao credores, são fruto do descrédito financeiro em que o nosso pais entrou depois das sucessivas política do Eng. José Sócrates?
 
Sabia que foi em 2007 durante o governo do Sr. Engenheiro, que foi criada a Parque escolar? E que em 2011 o Tribunal de Contas estimava que esta empresa teria contraído mais de 1.150 milhões de euros de dívida, porque o ministro Teixeira dos Santos nunca fixara limites de endividamento?
 
Sabia que o pass sub23 do Metropolitano de Lisboa chegou a custar 30 cêntimos por dia e que agora custa 1.16 cêntimo e apesar disso a empresa vai continuar a dar prejuízo?
 
Sabia que o nosso salario mínimo, as reformas, os subsídios nunca corresponderam ao que de facto poderíamos receber de um estado que se encontra moribundo?
Sabia que até 2014 o Estado Português se encontra vinculado ao memorando com a Troika que têm de cumprir se quer equilibrar as suas contas públicas? Sabia que a hipótese de “mandar a troika fora” do ponto de vista financeiro seria uma catástrofe, que poderia levar à nossa saida do Euro?
 
Sabia que muitas das medidas hoje implementadas, constam no memorando da Troika? Sabia que do cumprimento desse memorando e da implementação dessas medidas depende o nosso financiamento?
 
De facto, estas questões dão que pensar. O povo português revolta-se e manifesta-se contra a Troika, porque nos estão a sustentar! E revolta-se contra o governo porque está a cortar, no que durante anos nunca ninguém teve a coragem de cortar! Ninguém gosta de austeridade, ninguém gosta de perder os benefícios, de ser cortado nos salários ou de ver os impostos aumentar, contudo chegou a altura de cortar e de se parar com a política do gastar mais do que temos! Como certamente percebemos o modelo do keynesianismo esgotou-se, precisamos de novas soluções e de um novo modelo de estado! Precisamos desta discussão, mais do que todas as que se têm tido em Portugal nos últimos tempos!
-ministro Mário Soares teve de pedir ajuda ao FMI para pagar as contas? Onde estavam vocês quando, em 1983, o primeiro-ministro Mário Soares pediu empréstimo ao FMI, aumentou impostos e desvalorizou o escudo sem fazer as necessárias reformas estruturais? Onde estavam vocês quando, depois da entrada na Comunidade Económica Europeia, mesmo recebendo milhões em fundos perdidos (sem necessidade de reembolso), o primeiro-ministro Cavaco Silva não conseguiu equilibrar as contas do Estado e “subornou” funcionários públicos com um sistema retributivo que veio a integrar o que hoje designamos de “Monstro”? Onde estavam vocês quando o primeiro-ministro Guterres assumiu paixão pela Educação e fez crescer o número de cursos superiores inúteis? Onde estavam vocês quando o primeiro-ministro Durão Barroso disse que “o país está de tanga” e as únicas soluções que encontrou para baixar o défice foram receitas extraordinárias? Onde estavam vocês quando o primeiro-ministro Sócrates, tendo em mãos uma crise orçamental, decidiu gastar ainda mais? Onde estavam vocês quando se decidiu esbanjar centenas de milhões no Centro Cultural de Belém, Expo 98, Euro 2004, SCUT, TGV, aeroporto de Beja, metros de Lisboa e Porto, Casa da Música, computadores Magalhães, Rendimento Social de Inserção, Parque Escolar, etc. etc. etc. e etc? Onde estavam vocês quando, nas eleições do ano passado, nenhum partido político concretizou, nos seus programas eleitorais, as medidas necessárias para o Estado reduzir o défice e pagar o empréstimo da “troika”?

Durante décadas os governantes fizeram vida de país rico e – agora que chegou a factura – vocês querem mandar a “troika” às urtigas? Tudo bem! Mas discutam, primeiro, quais devem ser as medidas para, já no próximo ano, fazer reduzir o défice a zero. Sim ZERO, porque, fora a “troika”, mais ninguém empresta dinheiro ao Estado português.

E não venham apenas com medidazinhas de taxar mais os ricos ou cortar nos benefícios dos políticos! Para reduzir o défice de cerca de 8.000.000.000 euros é necessário aumentar impostos à classe média e/ou (a minha opção!) cortar drasticamente nas despesas do Estado. Ahhh, e ficam já avisados que a maior parte da Despesa Pública recai nos ministérios da Educação, Saúde e Segurança Social.

Nota: também têm a opção de sair do euro e desvalorizar rapidamente a nova moeda; tem o mesmo efeito que a actual redução real dos salários e continua-se a adiar as reformas…

Somos, em Portugal, a geração mais instruída de sempre? Então, antes de saírem à rua, tenham a necessária discência de fazer todas as contas de somar e subtrair."
-ministro Mário Soares teve de pedir ajuda ao FMI para pagar as contas? Onde estavam vocês quando, em 1983, o primeiro-ministro Mário Soares pediu empréstimo ao FMI, aumentou impostos e desvalorizou o escudo sem fazer as necessárias reformas estruturais? Onde estavam vocês quando, depois da entrada na Comunidade Económica Europeia, mesmo recebendo milhões em fundos perdidos (sem necessidade de reembolso), o primeiro-ministro Cavaco Silva não conseguiu equilibrar as contas do Estado e “subornou” funcionários públicos com um sistema retributivo que veio a integrar o que hoje designamos de “Monstro”? Onde estavam vocês quando o primeiro-ministro Guterres assumiu paixão pela Educação e fez crescer o número de cursos superiores inúteis? Onde estavam vocês quando o primeiro-ministro Durão Barroso disse que “o país está de tanga” e as únicas soluções que encontrou para baixar o défice foram receitas extraordinárias? Onde estavam vocês quando o primeiro-ministro Sócrates, tendo em mãos uma crise orçamental, decidiu gastar ainda mais? Onde estavam vocês quando se decidiu esbanjar centenas de milhões no Centro Cultural de Belém, Expo 98, Euro 2004, SCUT, TGV, aeroporto de Beja, metros de Lisboa e Porto, Casa da Música, computadores Magalhães, Rendimento Social de Inserção, Parque Escolar, etc. etc. etc. e etc? Onde estavam vocês quando, nas eleições do ano passado, nenhum partido político concretizou, nos seus programas eleitorais, as medidas necessárias para o Estado reduzir o défice e pagar o empréstimo da “troika”?

Durante décadas os governantes fizeram vida de país rico e – agora que chegou a factura – vocês querem mandar a “troika” às urtigas? Tudo bem! Mas discutam, primeiro, quais devem ser as medidas para, já no próximo ano, fazer reduzir o défice a zero. Sim ZERO, porque, fora a “troika”, mais ninguém empresta dinheiro ao Estado português.

E não venham apenas com medidazinhas de taxar mais os ricos ou cortar nos benefícios dos políticos! Para reduzir o défice de cerca de 8.000.000.000 euros é necessário aumentar impostos à classe média e/ou (a minha opção!) cortar drasticamente nas despesas do Estado. Ahhh, e ficam já avisados que a maior parte da Despesa Pública recai nos ministérios da Educação, Saúde e Segurança Social.

Nota: também têm a opção de sair do euro e desvalorizar rapidamente a nova moeda; tem o mesmo efeito que a actual redução real dos salários e continua-se a adiar as reformas…

Somos, em Portugal, a geração mais instruída de sempre? Então, antes de saírem à rua, tenham a necessária discência de fazer todas as contas de somar e subtrair."

 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

O injuriado protetorado do séc. XXI

Em tempos, o mundo foi pautado por uma incessante procura de subjugação e domínio. Os estados mais fortes subjugavam os mais fracos, sendo o controlo de políticas internas e o estabelecimento de políticas comerciais favoráveis algumas das mais-valias. Uma relação que nunca foi pacifica, principalmente quando o estado mais fraco procura a independência. Aconteceu diversas vezes ao longo da História Mundial. Recordo a subjugação britânica da India que só cessou ao fim de séculos com a política da “não violência” de Ghandi.

Falo disto, porque me preocupa se materialmente Portugal é hoje um protetorado das instâncias credoras? Parece-me que sim, não me lembro da última vez que vi a soberania, sem ser na Constituição da Republica Portuguesa! Esta situação, não parece ter fim. Os sucessivos governos de “privilégios para todos” que passaram por Portugal, colocaram-nos nesta situação e agora não parece haver alternativa ao corte. Mas o que é que acontece quando nem as políticas de corte parecem resultar? Afinal onde esta o nosso Ghandi?

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Quando...

Quando os jornalistas procuram a polémica em vez da verdade. Quando muitos políticos colocam os seus interesses pessoais à frente do bem comum. Quando as pessoas se demitem e desistem da causa social, em vez de lutarem por ela. Quando as militâncias partidárias são feitas de interesses, em vez de união. Quando os jovens de hoje, saem mais á noite do que estudam e deixam de pensar no seu futuro. Quando o cidadão não se interessa mais pela sociedade e afirma que tudo esta mal, mas nada faz para mudar isso. Ai nós entendemos que a crise de hoje é, mais que tudo, uma crise de valores. E desta todos nós somos culpados!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Férias!?


Pasmo-me quando o primeiro-ministro tem de negociar com os jornalistas um momento para as fotografias, para que o deixem “gozar as férias com tranquilidade”. A inoportunidade despicienda dos jornalistas a atacarem os membros do governo em férias é tanto inadmissível, como um ataque ao bom senso! Não falo de uma pontual notícia sobre o assunto, imperiosa para satisfazer a “cusquice” tipicamente portuguesa. Agora uma constante “massa jornalística” insistente e sedente por comentários e fotografias é, manifestamente, excessivo!

A “polémica das férias” dos governantes é também algo tipicamente português, o “Zé” tem uma necessidade constante de saber o que os “da televisão” fazem, quando fazem e como fazem. E para além disso, como se não bastassem as manchetes de jornais e dispêndio de tempo televisivo com tais insignificâncias, surgem comentários como o primeiro-ministro “está de férias com o dinheiro dos pobres”. Acrescento ainda a ilustre e notável contribuição de uma vendedora que disse qualquer coisa como: “15 guarda-costas? Não percebo para que é que ele precisa daquilo! Eu não tenho 15 guarda-costas, o que é que ele é mais que eu?”. Não posso deixar sem resposta, esta nobre cidadã que tanto contribuiu para os canais sensacionalistas portugueses. Vejamos, este governo, foi responsável pelo corte dos subsídios de férias e de Natal, aumentou as taxas moderadoras, reduziu os inacreditáveis benefícios dos transportes, como o metro de Lisboa (que chegava a custar, a alguns, 30 cêntimos por dia), cortou nos orçamentos das autarquias (área a ser reformada), aumentou os impostos e prepara-se para cortar algumas inacreditáveis fundações. Cortes duros para reduzir a “gordura do estado” e reformar um estado social impossível de subsistir. Certamente que estas senhora preferia continuar com os seus “direitos adquiridos”, mas estes, não passaram de uma miragem e agora é tempo de ver a realidade. Então, uma vez que o primeiro-ministro teve de se sujeitar às medidas impopulares que, embora necessárias, enfurecem os cidadãos, talvez ele precise mais dos seguranças do que a senhora, que se chatear os seus clientes com um aumento de preços, estes simplesmente mudam de banca!

quarta-feira, 11 de julho de 2012

A batalha campal do Estado da Nação

“Onde estamos e para onde vamos?”. Essa devia ser a grande questão a que o característico debate deveria responder, contudo parece que o carácter expectável da sociedade portuguesa se manifesta mesmo nas discussões da Assembleia da República, o que transformou a suposta pergunta a fazer na normal e já tão debatida versão: “De onde vimos e porque aqui estamos?”

Para quem não se lembra, e não só com o intuito de recordar, mas de deixar uma ideia para futura discussão, o Estado Social surgiu num ambiente de pós I Guerra Mundial. O alargar da intervenção do Estado na economia, pondo de lado a o clássico laissez faire ilustrativo do puro liberalismo económico, foi a base da nova teoria estadual. Assistência social na área da saúde, bem como ao nível do ensino e da habitação são algumas das características definidoras do atual Estado Social. Interessante será fazermos uma introspeção relativamente à possibilidade de esse modelo estadual ser ainda o dos dias de hoje. Poderá subsistir uma “segurança social” num país onde ocorreu uma inversão da pirâmide etária, que outrora tinha uma base forte de população trabalhadora enquanto hoje se verifica o contrário? Poderão os portugueses continuar a ter benefícios que não eram de todo comportados pelo Estado português? Poderá haver uma saúde e um ensino tendencialmente gratuito? Parece que os tempos nos tem revelado que há de fato um desajustar da realidade face ao início da década do séc. XX. Posto isto, percecionamos o quanto as restruturações que foram feitas, pelo atual governo PSD-CDS, são necessárias. E isto não quer dizer que a priori concordemos com todas elas, simplesmente que as achamos tendencialmente necessárias. Não obstante, tal não releva ser tratado agora.

Interessante é também perceber o que foi o debate do Estado Nação do dia de hoje (11 de Julho de 2012). Um debate campal, onde mais uma vez a agressividade reinou na Assembleia e o ditado a tolerância é necessária para a coexistência dos homens, permaneceu esquecido. Os partidos de esquerda continuam apologistas da greve, da paralisação social e do não pagamento da dívida! A estes pergunto, que tipo de portugueses somos nós? Dos que se demitem dos compromissos, batem o pé e não avançam mais? O partido socialista permanece demitido do acordo com o governo, recusando qualquer tipo de consenso! A este pergunto, se somos um povo que se divide ou um povo que se une para resolver os problemas? Os partidos da maioria permanecem com o mesmo discurso de ataque a Sócrates. A estes pergunto, quando iremos perder menos tempo a julgar o passado para passarmos a definir o futuro?

Num debate particular, onde me pareceu que pouco houve de Nação, creio que se errou no teor fundamental de toda a discussão, que certamente deveria ter sido o defenir do rumo a seguir pelo povo português. Apelo então, mais uma vez, à força dos portugueses, à palavra, ao debate e à intervenção, pois apesar de na minha opinião estarmos mais longe do precipício de que nos abeirávamos há um ano atrás, muito trabalho há ainda a fazer.

sábado, 30 de junho de 2012

Uma metáfora política

A relação das pessoas com a política em muito se assemelha a um jogo de futebol. No início à uma grande mobilização para acreditar, no fim da primeira parte, deixa-mos nos ir a baixo, tornamo-nos mais sépticos e só queremos que marquem um golo, no fim percebemos que o jogo afinal foi uma perda de tempo, a nossa equipa perdeu e jogou mal, demitimo-nos de acreditar e chamamos nomes aos jogadores. E o que acontece, num próximo jogo? Voltamos a acreditar e consequentemente a deixar de acreditar, chamamos nomes aos jogadores e dizemos que até nos marcávamos aquele golo. Tal como com o futebol, na política qualquer pessoa é capaz de fazer melhor, mas quem diz tal coisa, demitiu-se dela, bem como, deixou de acreditar na vitória da equipa. Somos um povo de pequenos momentos de interesse e de dedicação, não conseguimos acreditar em nada, do princípio ao fim. Mandam-nos ao chão e “para nos levantarmos é que é o elas”! Acabamos por não nos afincarmos em nada, acabamos por criar novos objetivos por os antigos nunca mais serem alcançados, desistimos dos outros, como desistimos de nós! Talvez, se acreditarmos até ao fim, se passarmos a ver um “pontapé livre” como uma tentativa de chegar á vitória em vez de mais um falhanço, conquistemos algo maior, do que ao que temos conquistado.

sábado, 23 de junho de 2012

Euro(pa) 2012?

Pergunto-me o que está a acontecer à mentalidade dos cidadãos? Onde está o debate, a intervenção cívica, a problematização? Pergunto-me se não seremos só “animais socias” para assistir às seleções que jogam na Polónia-Ucrânia?

O debate “mais ou menos Europa?”, é urgente, mas não se vê nem em fóruns de debate, nem nas redes sociais, nem nos noticiários, nem nos debates televisivos, nem nas escolas, nem (em minha modesta opinião) em lado algum! Angela Merkel, há meses que vem afirmando que “mais Europa” é parte da solução da crise. O Ministro alemão Wolfgang Schäuble, afirma que “Devemos transferir mais competências para Bruxelas em domínios políticos importantes, sem que cada Estado nacional possa bloquear decisões”. O ministro, adota a posição de que os Estados não podem ter a última palavra e afirma que a “Europa do futuro não será um estado federal à imagem dos EUA (…)” mas “Terá a sua estrutura própria.”.

Pergunto-me, o que dizemos nós? Qual a nossa opinião, num possível (e será que necessário) federalismo? Onde está o debate entre nacionalistas e federalistas que surgiu no congresso de Haia? Confesso, que sou bastante séptico relativamente à ideia de se criar um “governo europeu”, isso será sem dúvida um passo decisivo em direção ao federalismo, e consequente perda de Soberania. A “ideia Europeia” tem de ser discutida, mas esta é uma discussão que tem (necessariamente) de ser feita na “rua”, com o maior número de pessoas. Pois se a soberania reside no povo como aliás Rousseau afirmava e a nossa Constituição dispõe, ter opinião, é hoje mais importante que nunca. Uma vez que podemos estar perante a emergência de um referendo, que espero (se for caso disso) não ser esquecido como foi aquando da nossa entrada na CEE.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Dia da Defesa Nacional – Necessidade ou Obrigação ?

Começo este breve texto, por dizer que há já algum tempo que tenho esperado pelo momento certo para poder escrever sobre tal dia, coisa que só agora faz sentido uma vez que hoje foi o meu dia da Defesa Nacional.

A Defesa Nacional, é muito mais que o papel das Forças Armadas. É na verdade um valor pelo qual devemos pautar as nossas condutas no dia-a-dia. Pois é um valor que se exercido só poderá enaltecer a nossa Nação e isso certamente nos deixará orgulhosos. A Defesa Nacional, não se trata de fazer umas flexões ou passear fardado com uma arma nas mãos. É mais que isso, é ajudar os mais necessitados fazendo voluntariado. É fazer parte da nossa Democracia, indo votar e dar a nossa opinião nas assembleias municipais e de freguesia. É ser tolerante com os outros, respeitador das regras e bondoso para com a comunidade. A Defesa Nacional é esta abrangência de deveres, que nos torna verdadeiros cives.

O dia da Defesa Nacional, não pode ser visto como uma obrigação, mas sim como uma necessidade, como um desejo que deve ser tido por todos os jovens, sem o qual a tarefa de alcançar uma sociedade mais unida e humana se tornará mais difícil. É por isso imperioso desde já, deixar de ver este dia como uma tarefa obrigatória intrínseca ao nosso " viver em sociedade" na qual se conta as horas para que acabe, mas sim torná-lo no início de uma atitude mais consciente, mais interessada e mais cívica na vida em sociedade.

Creio, apesar de todo o mérito que o dia teve, que este deve ser antecipado um ano, uma vez que a maior parte dos jovens nesse dia já estão no ensino universitário e as informações de entrada para as Forças Armadas são já, para muitos, tardias. Ao que parece, tem que ver com a maior facilidade burocrática, “nessa altura” os jovens que se deslocam à base militar para a qual foram convocados a cumprir este dever, “são já maiores de idade”. Contudo deixo aqui, como deixei aos militares que nos acompanharam neste dia a essencialidade de o dia ser feito no secundário, uma vez que é certamente esse, o ano em que os esclarecimentos em termos do ingresso para as Forças Armadas são mais necessários.

Não me querendo alongar muito, incito desta forma, a que se veja este dia como uma oportunidade, uma oportunidade que se for de facto aproveitada e seguida de uma introspeção sobre o tratado nesse dia, pode ser bastante útil na mudança de mentalidade dos  jovens e importante na alteração da hierarquia de valores pela qual estes se estão a pautar.

domingo, 13 de maio de 2012

Cabe-nos a nós!


Vamos enfrentar isto! Estou certo! Para tal pensemos um pouco, para além de simplesmente agirmos sem o fazer, reparemos para além de simplesmente vermos, planeemos para além de simplesmente atuarmos. Sejamos sinceros, sim é fácil falar, mas somos capazes e acredito profundamente que a força para passar todas as crises se encontra mais nos jovens cheios de vontade de mudança do que nos economistas e gestores cansados da infindável análise dos números. Somos mais que isso, números. Somos pessoas únicas e irrepetíveis, com vontades, sonhos e ambições próprias. E creio que delas, por mais difíceis que pareçam de realizar, não nos devemos demitir. Sei que muitas vezes não é fácil, mas cabe-nos a nós hoje decidir como queremos ser relembrados no futuro, e não digo isto por o que os nossos filhos irão pensar de nós, mas sim o que iremos pensar de nós próprios. Queremos nós ser recordados como os jovens que se levantaram do sofá, saíram da área de conforto, uniram-se em grupos, associações, clubes, equipas e foram para a rua ver a realidade e tentar mudá-la. Queremos ser os jovens que se voluntariaram, e criaram um espírito de trabalho em prol de um ideal comum - o ajudar a sociedade - ou os jovens que se demitiram de sair para ajudar as pessoas e que continuaram a não olhar para mais lado algum que o seu umbigo? Cabe-nos a nós decidir. Cabe-nos a nós mudar. Há sempre uma hipótese, uma escolha e essa cabe-nos a nós jovens.

domingo, 29 de abril de 2012

Alberto João Jardim o “monopólio natural"

No pensamento económico fala-se em monopólio quando uma empresa detém o mercado de determinado bem ou serviço, praticando assim os preços que quiser, sendo natural porque há uma extrema dificuldade em entrar nesse mesmo mercado. E assim é o Dr. Alberto João Jardim, um autêntico “monopólio natural” instaurado no governo regional da Madeira que já dura à “trinta e tal anos”, nas suas palavras pouco precisas.


Muitos perguntam: como consegue ele ser este duradouro monopólio? Outros respondem: “Porque as coisas aparecem feitas! E é isso que é importante!”. E sem dúvida que é verdade. A Madeira em nada se assemelha à ilha esquecida que era há 30 anos atrás. Contudo, apesar de ser importante as coisas aparecerem feitas, creio que, os modos e os meios como elas aparecem feitas, são também importantes, não me digam que em pleno séc. XXI ainda se inspiram na suma do pensamento de Maquiavel, de que “os fins justificam os meios”!?

“Sou um disciplino de Gandhi. Sou pela Resistência pacifica” a ” revolução tranquila foi o que eu já fiz na Madeira e ficaram danados comigo aqui no continente” disse o Dr. Alberto João. Eu gostava de saber que revolução tranquila foi esta? Refere-se à enorme dívida que tranquila e pacificamente foi contraída e da qual o senhor não se arrepende? Só pode ter sido! Concluo assim, apesar de todo o mérito que teve no desenvolver da região Autónoma, com uma pergunta: E quem é que vai pagar agora? Bom, parece que a esta todos sabem responder...

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O valor atual da democracia - Uma conquista em crise?

Democracia…o que será na verdade? Uma característica de um regime? Uma forma ou um sistema de Governo? Uma forma de organização social? Bom, tem de ser pelo menos mais que um mero argumento, em nome do qual, todos temos o direito de expressar a nossa opinião! Todas estas dúvidas que surgem certamente em grande parte da população, têm que ver, claro está, com falta de interesse, sendo desde já um fator de enfermidade democrática manifestado na atitude de desinteresse social, devido aos direitos adquiridos, praticando-se assim a política do: “Alguém que se preocupe. Isso da política, não é para mim!”. Ora desengane-se quem pensa que a política não é de todos, na verdade a política somos nós, todos nós, pois ela mexe com a vida de toda a comunidade. Já agora, para quem pensa que o “barco da política”, da intervenção não é para a sua pessoa, fique sabendo que é o desinteresse das pessoas favorece a corrupção e é pelo interesse e manifestação dessa virtude que a corruptela de interesses deve ser combatida.

Mas então, sem mais divagar, será a Democracia uma forma ou sistema de governo? Relembrando os meus escassos e modestos conhecimentos, forma de governo reconduz-se à relação entre governantes e governados, ao invés, sistema de governo às relações entre os órgãos do poder. Daqui observamos que a forma de governo em Portugal é a democracia representativa, podendo o sistema de governo ser qualificado como semipresidencialista. A palavra Democracia deve a sua génese à Grécia Antiga. A palavra surge como uma união do conceito demo (povo) e kracia (governo) – governo do povo. Apesar da nomenclatura de tal organização social, na verdade mulheres, estrangeiros, escravos e crianças não participavam das decisões políticas da cidade, mas isso não nos compete aqui tratar.
Desde muito cedo e ao longo de toda a nossa História, a Democracia é teorizada por grande autores, com relativas e diferentes opiniões sobre a mesma, tendo em conta claro os circunstancialismos socioculturais da época. PLATÃO - que idealizava a Sofiocracia (Monarquia do rei filosofo) - via a Democracia como melhor que o regime tirânico, na ótica de que o governo da multidão é incapaz de gerar grande mal, mas pior que a Sofiocracia, por não conseguir gerar grande bem. ARISTOTELES - tem como forma ideal de governo, uma forma Monárquica mista com elementos aristocráticos e democráticos, pois considerando a Democracia como uma forma degenerada por só atender somente aos interesses dos pobres, esta não devia subsistir sozinha. S TOMAS DE AQUINO - onde se nota a grande influência aristotélica - preconiza como forma ideal uma mistura entre monarquia, aristocracia e democracia, correspondentemente onde há alguém que dirige, enquanto muitos participam na governação, sendo todos escolhidos pelo povo. MAQUIEVEL - por outro lado, com uma nova dimensão de ver a política afastada de valores morais - adota o Principado como regime a ter sempre que necessário, contudo afirma que deve existir um regime democrático quando o objetivo do estado é o da expansão, pois só assim se poderá ter um grande exército que só advém de uma grande base popular no governo.
Sem prejuízo de me alongar muito, esta teorização serve para vermos que o valor, a ideia de democracia é sem dúvida um valor constante e presente não só na teorização mas como na prática ao longo da nossa História, é do valor democrático que advêm a possibilidade dos cidadãos votarem nos órgãos governativos, participarem na vida politica da sociedade e expressarem a sua opinião de diversas formas e ascenderem ao poder se com algo tiverem a contribuir para o “bem comum da sociedade”. O valor da Democracia tendo em conta a sua dimensão, tem de ser merecido e para o ser tem de ser feito uso do mesmo. Depois do não muito longínquo regime Salazarista - período que durou de 1933 a 1974 - o valor democrático por muito tempo escondido dentro do coração Português, vingou e no dia 25 de Abril de 1975 merecemos esse valor, merecemos participar, merecemos ser seres não só socias como também seres políticos, estando obviamente esse interesse demonstrado na adesão de 91% da população, às primeiras eleições livres - para a Assembleia Constituinte – depois de o golpe de estado de 25 de Abril de 1974. Sim, falei em 91% de adesão, quanta percentagem há agora de cidadãos a fazer uso do seu “direito” ao voto, 50%? Eu gostava de relembrar novamente que a democracia existe enquanto for merecida por todos nos, e que não deve ser vista como uma garantia do estado, pois o estado somos nós e se não participarmos e nos desinteressarmos da política, o estado enfraquece de dia para dia. Recordar também, que o voto não é um direito garantido mas sim um dever exigido, não só, em memória de todos os que lutaram para o podermos ter hoje em dia, mas principalmente porque a sociedade para o seu funcionamento precisa do contributo de todos nós! Apelo, a todos, e principalmente a todos os jovens, que sejam participativos na vida da sociedade, que procurem soluções para os problemas existentes e os tentem resolver. Apelo para que não se acomodem e não façam com que o valor democrático se perca dentro do tamanho desinteresse e despreocupação instalada. Apelo aos jovens, que se unam por uma mudança, uma mudança em nome do mundo e da necessidade de o mudar. Apelo ao jovens, para que não deixem tamanha conquista do povo português, cair em desgraça tornando-se em algo corrompido e sem valor. Apelo então a todos os portugueses que lutem, contribuam, participem, não se resignem pois como umas vez disse ANIBAL CAVACO SILVA, o projeto democrático, o projeto do 25 de Abril,“ Foi um projeto de futuro e que, por ter sido um projeto de futuro, deve continuar a ser um sonho inspirador e um ideal para as gerações vindouras.”.
(25 de Abril de 2011)

sexta-feira, 16 de março de 2012

Nespresso ou crise humanitária?

Soa por ai que, George Clooney foi preso em Washington, durante uma manifestação em frente a embaixada do Sudão. Pelos vistos, já se percebeu que não é a nenhuma divindade a quem cabe o papel de “salvador da pátria”. Mas sim a todos nós, a toda a comunidade que precisa de uma mudança e se deve mobilizar para a conseguir, em vez de ficar à espera do efeito das orações!
George Clooney, exigia do governo do Sudão permissão para que a comunidade internacional enviasse ajuda Humanitária para evitar a “pior crise Humanitária da face da Terra". O actor, suportado por vários activistas, acusa o presidente sudanês, de estar a impedir a passagem de grupos de ajuda humanitária para o país e as forças armadas do governo sudanês, de cometerem crimes de guerra contra civis.
Parece de fato necessário, que esta mobilização seja vista como algo positivo, como a saída do sofá, o desligar a televisão e o abrir da porta de casa, fazendo face às dificuldades mundiais! O que acho estranho nisto tudo, é que afinal o ente divino (comummente designado por “Deus”) só aparece para recolher as belas das cápsulas da “Nespresso”, já para safar o nobre actor de ir preso, ou resolver algo de menor como a “crise humanitária”, esta quieto ó mau!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O dilema

Acho, no mínimo, curioso fazerem-se manchetes de jornal sobre a grande e prudente questão: “Água de garrafa ou de torneira servida em jarros?” e acho ainda mais interessante esse assunto não só gerar polémica mas como também afincadas discussões!

Se me recordo tudo começou com uma proposta para ali: “E que tal água da torneira?”, seguida de resposta para acolá: “Nem pensar, o custo será maior que o das águas engarrafadas!” e então discute-se e entra a ciência matemática em que o senhor Zé se baseia para fazer as contas dos poucos clientes da sua mercearia. Bom, jarros+ água da torneira+ mais pessoal para encher jarros e para os servir = a uma grande dor de cabeça para qualquer leitor e cidadão português. Mas para quê discutir quanto custam os jarros e somar a água e o trabalho do pessoal? Contas, contas e mais contas e o leitor pensa “mas o que é isto?”. Há pessoas a viver nas ruas, a tendência para o roubo aumenta, bem como o sufoco orçamental. As pessoas olham em redor e vêm menos emprego, produtos mais caros e menos dinheiro para os comprar e discutem-se a águas dos senhores Deputados? Caros deputados, no meio de tantos jarros aqui fica uma sugestão para fazer face a tamanha problemática, e que tal cada um levar a sua “garrafinha” de casa? Pode ser que assim ao menos o senhor Zé, ganhe mais uns clientes na mercearia.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Juventude?

O que somos nós? Creio que esta não é uma pergunta a qual para responder basta folhear um qualquer dicionário que tenhamos em casa. De acordo com um, juventude significa: “quadra da vida em que se é jovem”. Será isto que somos? Uma mera fase que demarca a adolescência? Recuso-me a definir este conceito com toda esta objetividade. Recuso-me a não ver para além do simples conceito. Parece-me a mim que cabe-nos a nós definirmos esta conceção, preencher a sua essência, completá-la e reformula-la. Mais que uma fase da vida, podemos ser uma força de mudança, podemos ser a união que o país precisa, podemos ser o vetor de inovação de criatividade necessária neste momento. Podemos ser os que vão para além da ideia escrita no papel, os que arriscam e querem ir mais longe e conhecer o que esta para além do horizonte. Podemos desempenhar o papel dos que se preocupam, dos que sabem que as coisas estão mal e as querem mudar, em vez dos que nada querem fazer, apesar de todas as infindáveis criticas que apontam. A geração de hoje a que chamamos juventude é tudo menos uma marca de mudança, representa tudo menos a prossecução do sonho de alcançar algo melhor. Hoje em dia, a nossa geração é pautada pelo abuso de álcool, drogas, entretenimento televisivo, espaços noturnos, música, internet, etc. Vivemos numa geração de modas, onde simplesmente quem não tem determinada marca de roupa, quem não vai a certo sítio durante a saída á noite, quem não vê um qualquer “reality show”, simplesmente não é “social”. Vivemos numa geração sem identidade própria, as modas tornam-se os ideais de vida de muito jovens sendo a “soci(in)abilidade” o objetivo de vida de muitos. A juventude de hoje, como dizia, vive de forma “online” e o “facebook” é para muitos a segunda, senão a primeira coisa que os jovens fazem quando chegam a casa, as vidas de qualquer uma são postadas em murais, memorizadas em frases e fotografias, em vez de simplesmente vividas. O álcool é o melhor amigo de qualquer adolescente numa saída à noite, em vez daquela conversa entre amigos. Somos uma geração preguiçosa onde poucos fazem frente a esta realidade. Uma geração que fala mal das coisas, mas simplesmente não as compreende porque isso dá trabalho. Uma geração afastada e desagregada incapaz de se unir para construir algo. Uma geração sem identidade, friso de novo, vivendo de exportações culturais. Deixamos de criar, deixamos de inovar, deixamos simplesmente de pensar, de ver a realidade como ela é e de ter a vontade de mudar. Há que fazer face a esta crise que nos marca a nós jovens. Há que marcar a nossa geração. Há que redefini-la, Há que lhe dar um novo conceito e para isso todos somos precisos.