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quarta-feira, 11 de julho de 2012

A batalha campal do Estado da Nação

“Onde estamos e para onde vamos?”. Essa devia ser a grande questão a que o característico debate deveria responder, contudo parece que o carácter expectável da sociedade portuguesa se manifesta mesmo nas discussões da Assembleia da República, o que transformou a suposta pergunta a fazer na normal e já tão debatida versão: “De onde vimos e porque aqui estamos?”

Para quem não se lembra, e não só com o intuito de recordar, mas de deixar uma ideia para futura discussão, o Estado Social surgiu num ambiente de pós I Guerra Mundial. O alargar da intervenção do Estado na economia, pondo de lado a o clássico laissez faire ilustrativo do puro liberalismo económico, foi a base da nova teoria estadual. Assistência social na área da saúde, bem como ao nível do ensino e da habitação são algumas das características definidoras do atual Estado Social. Interessante será fazermos uma introspeção relativamente à possibilidade de esse modelo estadual ser ainda o dos dias de hoje. Poderá subsistir uma “segurança social” num país onde ocorreu uma inversão da pirâmide etária, que outrora tinha uma base forte de população trabalhadora enquanto hoje se verifica o contrário? Poderão os portugueses continuar a ter benefícios que não eram de todo comportados pelo Estado português? Poderá haver uma saúde e um ensino tendencialmente gratuito? Parece que os tempos nos tem revelado que há de fato um desajustar da realidade face ao início da década do séc. XX. Posto isto, percecionamos o quanto as restruturações que foram feitas, pelo atual governo PSD-CDS, são necessárias. E isto não quer dizer que a priori concordemos com todas elas, simplesmente que as achamos tendencialmente necessárias. Não obstante, tal não releva ser tratado agora.

Interessante é também perceber o que foi o debate do Estado Nação do dia de hoje (11 de Julho de 2012). Um debate campal, onde mais uma vez a agressividade reinou na Assembleia e o ditado a tolerância é necessária para a coexistência dos homens, permaneceu esquecido. Os partidos de esquerda continuam apologistas da greve, da paralisação social e do não pagamento da dívida! A estes pergunto, que tipo de portugueses somos nós? Dos que se demitem dos compromissos, batem o pé e não avançam mais? O partido socialista permanece demitido do acordo com o governo, recusando qualquer tipo de consenso! A este pergunto, se somos um povo que se divide ou um povo que se une para resolver os problemas? Os partidos da maioria permanecem com o mesmo discurso de ataque a Sócrates. A estes pergunto, quando iremos perder menos tempo a julgar o passado para passarmos a definir o futuro?

Num debate particular, onde me pareceu que pouco houve de Nação, creio que se errou no teor fundamental de toda a discussão, que certamente deveria ter sido o defenir do rumo a seguir pelo povo português. Apelo então, mais uma vez, à força dos portugueses, à palavra, ao debate e à intervenção, pois apesar de na minha opinião estarmos mais longe do precipício de que nos abeirávamos há um ano atrás, muito trabalho há ainda a fazer.