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terça-feira, 22 de julho de 2014

Voltar à minha terra

Os mais velhos sempre me disseram que há coisas que só percebemos quando crescemos e que há coisas que só sentimos quando entendemos o significado de tudo isso. Tinham razão. Hoje, volvidos três anos da minha saída para a capital do país para estudar, dou um valor que nunca pensei ser possível a uma coisa que sempre pensei ser adquirida. Falo-vos da minha terra, essa cidade florida no centro do país que dá por o nome de Abrantes.
Foi com a saída da minha terra para estudar Direito e com o passar dos anos que vivi numa cidade citadina que jamais adormece, que o meu carinho pela cidade onde nasci foi crescendo. Sei que cresceu, não só pela nostalgia que sinto quando estou longe, mas pelo calor apaixonado que testemunho quando estou perto. Hoje afirmo que há poucas coisas que me saibam tão bem como voltar a Abrantes depois de duas ou três semanas longe deste meu berço.
Eu faço parte de uma Abrantes que obteve a sua primeira carta de foral em 1179, faço parte de uma Abrantes que em 1385 fora o ponto de encontro das tropas Portuguesas para a batalha de Aljubarrota, faço inclusive parte de uma Abrantes que em 1807 fora ocupada pelas tropas das invasões francesas. Faço também parte de uma Abrantes mais recente, que só em 1907 passou a ser cidade e que deu o nome de um médico notável a uma escola: a escola Dr. Manuel Fernandes onde estudei até ao 12.º ano. Faço parte de uma cidade com um património histórico rico, como prova o seu centro histórico, a igreja de São Vivente e o próprio convento de São Domingos. Faço parte de uma cidade farta também em tradições, oportunidades e muitas histórias.
É por tudo isto que gosto de voltar a Abrantes, pois quando o faço, vejo a terra em que os meus pais decidiram viver, vejo a terra onde cresci e aprendi a ser quem sou e, acima de tudo, vejo a terra a que um dia quero voltar de forma definitiva. Acabo assim, com a graça de sentir o que sinto por um lugar, com a incerteza do tempo, mas com a certeza de voltar.
Crónica publicada no Jornal Nova Aliança (14-07-2014)