Há anos que ouço dizer o quão
importante é reformar os partidos políticos e o quão necessária é essa mesma
reforma. Curiosamente, ou talvez não, faz também muitos anos que ouço dizer o
quão necessário é reformar o Estado. Tudo isto me leva a crer que somos todos
muito bons a encontrar e a definir os problemas, mas péssimos a resolvê-los. Nada que me
espante em demasia não fossemos nós um país que pouco cria, pouco produz e
pouco inova. No fundo somos avessos à mudança. Acomodados, diria mesmo. Há quem
ache que esta atitude deriva de um catolicismo conservador que a ditadura
empregou na nossa gente e há mesmo até quem ache que é o determinismo ambiental
o grande culpado.
Em Portugal tudo o que não funciona
parece ser do domínio do patológico e os diagnósticos tardam em chegar. O que
é certo é que no entretanto, acomodados ou não, a palavra “Reformar” faz
slogans e propostas eleitorais, faz capas de revista e títulos de livros, tudo
como se fosse uma grande novidade da qual não ouvimos falar durante a última década. As
reformas estão em todo o lado e são tão omnipotentes que não estão em lado
algum. Creio que reformismo em Portugal é como o monstro de Loch ness na Escócia, no
fundo, não passa de um mito.
A minha crítica geral às reformas
que têm vindo a ser feitas em diversas áreas do Estado, como são exemplo a
saúde, a segurança social, a justiça e a administração local, assenta numa
premissa simples e evidente: elas são insuficientes quanto ao seu âmbito e não
resolvem os problemas de fundo. Isso acontece, na minha opinião, por duas
razões: i) o facto de as reformas serem coincidentes
com os ciclos eleitorais, faz com que prevaleça a motivação de obter resultados
de curto prazo, ao invés de a preocupação de resolver os verdadeiros problemas
em causa; ii) o facto de os partidos políticos que são as entidades de quem
dependem esta reformas, não serem capazes de se reformar a si próprios, impossibilita claramente reformas estruturais de fundo.
Posto isto, só alterando a forma
de funcionamento dos partidos se conseguirá alterar a forma de os mesmos
encararem o poder político e perceberem a necessidade do mesmo ser exercido de
forma correcta e digna. Os partidos políticos têm de se reformar verdadeiramente, ao
invés de se criarem novos partidos, pois isso não é resolver o problema é
simplesmente criar mais um. Os partidos têm urgentemente de criar mecanismos de
transparência e verdadeira democracia, onde a meritocracia seja um corolário da sua reforma. Posto isto, uma reforma eleitoral profunda urge ser feita em Portugal. Avanço
aqui o voto preferencial onde cada eleitor possa escolher, por ordem, os seus
candidatos e não estar sujeito às listas decididas por uma minoria de cidadãos, bem como, a abertura das legislativas a cidadãos que não só os filiados em partidos
políticos.
Estas são só algumas das muitas alterações
que considero terem de ser feitas em Portugal, para bem da nossa democracia.
Urge então mudar mentalidades, preparar-nos para novas soluções e concebermos
novas formas de fazer política. Somos um país que carece de progressistas e
tem conservadores convictos em excesso. Há demasiadas pessoas a perguntar
“porque sim?” ao invés de “porque não?”. E é isso que deve começar por mudar,
pois toda a mudança começa e precisa da pergunta certa.