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sábado, 11 de janeiro de 2014

Uma nova forma de pensar e fazer política (reflexão)

[Deixo aqui uma pequena reflexão feita por mim no Congresso Regional de Santarém, no intuito de alertar para o actual estado e forma de funcionamento da estrutura da JSD Regional. A intervenção vem no seguimento do apoio à lista candidata aos órgãos regionais, encabeçada pelo Gonçalo Gaspar.]

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Confesso-vos que estou preocupado. Preocupado, não tanto com o descrédito com que a generalidade das pessoas vê a classe política, mas sim, com o que estamos a fazer para inverter essa situação. O problema nunca foi a forma como a sociedade civil olha para a estruturas partidárias. O problema é o que os partidos fazem para serem vistos dessa forma, e é isso que me preocupa, pois pouco ou nada estamos a fazer.

Dizemos que temos a maior massa crítica do distrito, mas não produzimos trabalho concreto e palpável. Dizemos que temos capacidade de mobilizar os jovens e de inovar, mas somos sempre os mesmos nas mesmas actividades. Dizemos que formamos quadros, mas somos pouco interventivos nos fóruns de discussão. E é isto que me preocupa: que não sejamos mais que isto, que não sejamos mais do mesmo.

Entrei para a jota, para fazer a diferença. O preencher uma ficha de militante nunca foi visto por mim com a leviandade sentida por quem preenche o totoloto, embora o seja para muita gente. Entrar para uma juventude partidária não pode ser um mero ato de disposição momentâneo, é necessário pensar e ponderar e uma vez tomada a decisão, é necessário agir. Mas como sabemos, não é isto que acontece e, muitos entre nós, estão por estar e pouco se importam com tomadas de posição, moções, trabalho, propostas praticas, etc. Tudo isso é visto como um enorme problema, que não estava previsto na ficha de militância.

Na verdade, a maioria de nós militantes encontra-se assim, neste estado de solteiro comprometido que não sabe bem o que quer, nem o que pode ou deve fazer. E fomos nós que permitimos isso com processos eleitorais onde o cacique vence as ideias e a demagogia os projectos válidos. Sem percebermos, estamos inseridos numa juventude partidária onde se deixou de pensar, onde se deixou de projectar e deixou de avançar. E quem efectivamente tem vontade de fazer tudo isto, prefere sair, pois a maioria é já avença ao progresso e à mudança.

Não admira que, por tudo isto, cada vez mais se criem novos movimentos, associações juvenis e mesmo novos partidos. Tudo isto está a surgir. Está a surgir porque nós não temos força para adaptar as nossas ideologias aos novos tempos em que vivemos, está a surgir porque tornámos a estrutura mais complexa ao invés de a flexibilizarmos. Esta a surgir porque estamos a perder identidade de dia para dia ao invés de nos assumirmos como uma alternativa válida, coerente e consistente.


Somos os primeiros a apregoar bandeiras e grandes reformas, mas pouco falamos e pouco discutimos. A lógica da conferência é um bom inicio, mas não pode ser um fim, pois é preciso mais do que isso. A JSD Nacional, pretende discutir de forma abrangente a Reforma do Estado, mas não discute. Eu pergunto: é por isso que nós não o fazemos? Se é, não pode ser! A JSD Regional de Santarém tem capacidade para liderar discussões, não precisa de depender de nada nem de ninguém. Podemos ser o impulso à discussão, temos de ser essa mudança. Não discutimos a Reforma Administrativa, que devia ter ido mais longe e também não estamos a discutir a reforma Judiciária, que provavelmente devia ter sido menos ambiciosa. Aproxima-se uma reforma estatutária interna, espero que não discutamos mais isso do que a forma de pensar o Estado e as sua organização.

Não se iludam, a Regional não está a ter um papel tão importante nem tão construtivo no distrito, mas pode vir a ter. A mudança urge e todos devemos fazer parte dela. Os nossos concelhos pedem mais de nós, o distrito e o país exigem mais de nós. Assim, por tudo isto, termino com uma mensagem de esperança de alguém que embora céptico quanto aos tempos em que vivemos, acredita que com uma postura nova e revigorada, esta juventude pode vir a ser o futuro e fazer o que nasceu para fazer e tantas vezes ambiciona “a política que vale a pena”.


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