[Deixo aqui uma pequena reflexão feita por mim no Congresso Regional de Santarém, no intuito de alertar para o actual estado e forma de funcionamento da estrutura da JSD Regional. A intervenção vem no seguimento do apoio à lista candidata aos órgãos regionais, encabeçada pelo Gonçalo Gaspar.]
"(...)
Confesso-vos
que estou preocupado. Preocupado, não tanto com o descrédito com
que a generalidade das pessoas vê a classe política, mas sim, com o
que estamos a fazer para inverter essa situação. O problema nunca
foi a forma como a sociedade civil olha para a estruturas
partidárias. O problema é o que os partidos fazem para serem vistos dessa forma, e é isso que me preocupa, pois pouco ou nada estamos a
fazer.
Dizemos
que temos a maior massa crítica do distrito, mas não produzimos
trabalho concreto e palpável. Dizemos que temos capacidade de
mobilizar os jovens e de inovar, mas somos sempre os mesmos nas
mesmas actividades. Dizemos que formamos quadros, mas somos pouco
interventivos nos fóruns de discussão. E é isto que me preocupa:
que não sejamos mais que isto, que não sejamos mais do mesmo.
Entrei
para a jota, para fazer a diferença. O preencher uma ficha de
militante nunca foi visto por mim com a leviandade sentida por quem
preenche o totoloto, embora o seja para muita gente. Entrar para uma
juventude partidária não pode ser um mero ato de disposição
momentâneo, é necessário pensar e ponderar e uma vez tomada a
decisão, é necessário agir. Mas como sabemos, não é isto que
acontece e, muitos entre nós, estão por estar e pouco se importam
com tomadas de posição, moções, trabalho, propostas praticas,
etc. Tudo isso é visto como um enorme problema, que não estava
previsto na ficha de militância.
Na
verdade, a maioria de nós militantes encontra-se assim, neste estado
de solteiro comprometido que não sabe bem o que quer, nem o que pode
ou deve fazer. E fomos nós que permitimos isso com processos
eleitorais onde o cacique vence as ideias e a demagogia os projectos
válidos. Sem percebermos, estamos inseridos numa juventude
partidária onde se deixou de pensar, onde se deixou de projectar e
deixou de avançar. E quem efectivamente tem vontade de fazer tudo
isto, prefere sair, pois a maioria é já avença ao progresso e à
mudança.
Não
admira que, por tudo isto, cada vez mais se criem novos movimentos,
associações juvenis e mesmo novos partidos. Tudo isto está a
surgir. Está a surgir porque nós não temos força para adaptar as
nossas ideologias aos novos tempos em que vivemos, está a surgir
porque tornámos a estrutura mais complexa ao invés de a
flexibilizarmos. Esta a surgir porque estamos a perder identidade de
dia para dia ao invés de nos assumirmos como uma alternativa válida,
coerente e consistente.
Somos
os primeiros a apregoar bandeiras e grandes reformas, mas pouco
falamos e pouco discutimos. A lógica da conferência é um bom
inicio, mas não pode ser um fim, pois é preciso mais do que isso.
A JSD Nacional, pretende discutir de forma abrangente a Reforma do
Estado, mas não discute. Eu pergunto: é por isso que nós não o
fazemos? Se é, não pode ser! A JSD Regional de Santarém tem
capacidade para liderar discussões, não precisa de depender de nada
nem de ninguém. Podemos ser o impulso à discussão, temos de ser
essa mudança. Não discutimos a Reforma Administrativa, que devia
ter ido mais longe e também não estamos a discutir a reforma
Judiciária, que provavelmente devia ter sido menos ambiciosa.
Aproxima-se uma reforma estatutária interna, espero que não
discutamos mais isso do que a forma de pensar o Estado e as sua
organização.
Não
se iludam, a Regional não está a ter um papel tão importante nem tão construtivo no distrito, mas pode vir a ter. A mudança urge e todos
devemos fazer parte dela. Os nossos concelhos pedem mais de nós, o
distrito e o país exigem mais de nós. Assim,
por tudo isto, termino com uma mensagem de esperança de alguém que
embora céptico quanto aos tempos em que vivemos, acredita que com
uma postura nova e revigorada, esta juventude pode vir a ser o futuro
e fazer o que nasceu para fazer e tantas vezes ambiciona “a
política que vale a pena”.
(...)"