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sábado, 30 de junho de 2012

Uma metáfora política

A relação das pessoas com a política em muito se assemelha a um jogo de futebol. No início à uma grande mobilização para acreditar, no fim da primeira parte, deixa-mos nos ir a baixo, tornamo-nos mais sépticos e só queremos que marquem um golo, no fim percebemos que o jogo afinal foi uma perda de tempo, a nossa equipa perdeu e jogou mal, demitimo-nos de acreditar e chamamos nomes aos jogadores. E o que acontece, num próximo jogo? Voltamos a acreditar e consequentemente a deixar de acreditar, chamamos nomes aos jogadores e dizemos que até nos marcávamos aquele golo. Tal como com o futebol, na política qualquer pessoa é capaz de fazer melhor, mas quem diz tal coisa, demitiu-se dela, bem como, deixou de acreditar na vitória da equipa. Somos um povo de pequenos momentos de interesse e de dedicação, não conseguimos acreditar em nada, do princípio ao fim. Mandam-nos ao chão e “para nos levantarmos é que é o elas”! Acabamos por não nos afincarmos em nada, acabamos por criar novos objetivos por os antigos nunca mais serem alcançados, desistimos dos outros, como desistimos de nós! Talvez, se acreditarmos até ao fim, se passarmos a ver um “pontapé livre” como uma tentativa de chegar á vitória em vez de mais um falhanço, conquistemos algo maior, do que ao que temos conquistado.

sábado, 23 de junho de 2012

Euro(pa) 2012?

Pergunto-me o que está a acontecer à mentalidade dos cidadãos? Onde está o debate, a intervenção cívica, a problematização? Pergunto-me se não seremos só “animais socias” para assistir às seleções que jogam na Polónia-Ucrânia?

O debate “mais ou menos Europa?”, é urgente, mas não se vê nem em fóruns de debate, nem nas redes sociais, nem nos noticiários, nem nos debates televisivos, nem nas escolas, nem (em minha modesta opinião) em lado algum! Angela Merkel, há meses que vem afirmando que “mais Europa” é parte da solução da crise. O Ministro alemão Wolfgang Schäuble, afirma que “Devemos transferir mais competências para Bruxelas em domínios políticos importantes, sem que cada Estado nacional possa bloquear decisões”. O ministro, adota a posição de que os Estados não podem ter a última palavra e afirma que a “Europa do futuro não será um estado federal à imagem dos EUA (…)” mas “Terá a sua estrutura própria.”.

Pergunto-me, o que dizemos nós? Qual a nossa opinião, num possível (e será que necessário) federalismo? Onde está o debate entre nacionalistas e federalistas que surgiu no congresso de Haia? Confesso, que sou bastante séptico relativamente à ideia de se criar um “governo europeu”, isso será sem dúvida um passo decisivo em direção ao federalismo, e consequente perda de Soberania. A “ideia Europeia” tem de ser discutida, mas esta é uma discussão que tem (necessariamente) de ser feita na “rua”, com o maior número de pessoas. Pois se a soberania reside no povo como aliás Rousseau afirmava e a nossa Constituição dispõe, ter opinião, é hoje mais importante que nunca. Uma vez que podemos estar perante a emergência de um referendo, que espero (se for caso disso) não ser esquecido como foi aquando da nossa entrada na CEE.