A
relação das pessoas com a política em muito se assemelha a um jogo de futebol.
No início à uma grande mobilização para acreditar, no fim da primeira parte,
deixa-mos nos ir a baixo, tornamo-nos mais sépticos e só queremos que marquem
um golo, no fim percebemos que o jogo afinal foi uma perda de tempo, a nossa
equipa perdeu e jogou mal, demitimo-nos de acreditar e chamamos nomes aos
jogadores. E o que acontece, num próximo jogo? Voltamos a acreditar e
consequentemente a deixar de acreditar, chamamos nomes aos jogadores e dizemos
que até nos marcávamos aquele golo. Tal como com o futebol, na política
qualquer pessoa é capaz de fazer melhor, mas quem diz tal coisa, demitiu-se
dela, bem como, deixou de acreditar na vitória da equipa. Somos um povo de
pequenos momentos de interesse e de dedicação, não conseguimos acreditar em
nada, do princípio ao fim. Mandam-nos ao chão e “para nos levantarmos é que é o
elas”! Acabamos por não nos afincarmos em nada, acabamos por criar novos
objetivos por os antigos nunca mais serem alcançados, desistimos dos outros,
como desistimos de nós! Talvez, se acreditarmos até ao fim, se passarmos a ver
um “pontapé livre” como uma tentativa de chegar á vitória em vez de mais um
falhanço, conquistemos algo maior, do que ao que temos conquistado.
"Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir." George Orwell
sábado, 30 de junho de 2012
sábado, 23 de junho de 2012
Euro(pa) 2012?
Pergunto-me o que está a acontecer à mentalidade dos
cidadãos? Onde está o debate, a intervenção cívica, a problematização?
Pergunto-me se não seremos só “animais socias” para assistir às seleções que
jogam na Polónia-Ucrânia?
O debate “mais ou menos Europa?”, é urgente, mas não
se vê nem em fóruns de debate, nem nas redes sociais, nem nos noticiários, nem
nos debates televisivos, nem nas escolas, nem (em minha modesta opinião) em
lado algum! Angela Merkel, há meses que vem afirmando
que “mais Europa” é parte da solução da crise. O Ministro alemão Wolfgang
Schäuble, afirma que “Devemos transferir mais competências para Bruxelas em
domínios políticos importantes, sem que cada Estado nacional possa bloquear
decisões”. O ministro, adota a posição de que os Estados não podem ter a última
palavra e afirma que a “Europa do futuro não será um estado federal à imagem
dos EUA (…)” mas “Terá a sua estrutura própria.”.
Pergunto-me,
o que dizemos nós? Qual a nossa opinião, num possível (e será que necessário)
federalismo? Onde está o debate entre nacionalistas e federalistas que surgiu
no congresso de Haia? Confesso, que sou bastante séptico relativamente à ideia
de se criar um “governo europeu”, isso será sem dúvida um passo decisivo em
direção ao federalismo, e consequente perda de Soberania. A “ideia Europeia”
tem de ser discutida, mas esta é uma discussão que tem (necessariamente) de ser
feita na “rua”, com o maior número de pessoas. Pois se a soberania reside no
povo como aliás Rousseau afirmava e a nossa Constituição dispõe, ter opinião, é
hoje mais importante que nunca. Uma vez que podemos estar perante a emergência
de um referendo, que espero (se for caso disso) não ser esquecido como foi aquando
da nossa entrada na CEE.
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