Pergunto-me o que está a acontecer à mentalidade dos
cidadãos? Onde está o debate, a intervenção cívica, a problematização?
Pergunto-me se não seremos só “animais socias” para assistir às seleções que
jogam na Polónia-Ucrânia?
O debate “mais ou menos Europa?”, é urgente, mas não
se vê nem em fóruns de debate, nem nas redes sociais, nem nos noticiários, nem
nos debates televisivos, nem nas escolas, nem (em minha modesta opinião) em
lado algum! Angela Merkel, há meses que vem afirmando
que “mais Europa” é parte da solução da crise. O Ministro alemão Wolfgang
Schäuble, afirma que “Devemos transferir mais competências para Bruxelas em
domínios políticos importantes, sem que cada Estado nacional possa bloquear
decisões”. O ministro, adota a posição de que os Estados não podem ter a última
palavra e afirma que a “Europa do futuro não será um estado federal à imagem
dos EUA (…)” mas “Terá a sua estrutura própria.”.
Pergunto-me,
o que dizemos nós? Qual a nossa opinião, num possível (e será que necessário)
federalismo? Onde está o debate entre nacionalistas e federalistas que surgiu
no congresso de Haia? Confesso, que sou bastante séptico relativamente à ideia
de se criar um “governo europeu”, isso será sem dúvida um passo decisivo em
direção ao federalismo, e consequente perda de Soberania. A “ideia Europeia”
tem de ser discutida, mas esta é uma discussão que tem (necessariamente) de ser
feita na “rua”, com o maior número de pessoas. Pois se a soberania reside no
povo como aliás Rousseau afirmava e a nossa Constituição dispõe, ter opinião, é
hoje mais importante que nunca. Uma vez que podemos estar perante a emergência
de um referendo, que espero (se for caso disso) não ser esquecido como foi aquando
da nossa entrada na CEE.