Aqui há uns dias,
algures num desses fóruns de debate político que frequento,
falava-se da forma como a religião influencia a política, ou
melhor, a forma de fazer política. À partida, o debate pela sua
pretensa abstracção poderia considerar-se infrutífero ou
desnecessário, contudo, estaríamos enganados se assim o
considerássemos.
Uma das maiores
conquistas democráticas do mundo contemporâneo e da realidade
política hodierna é a separação entre a religião e a política.
A laicização chegou hoje a grande parte dos países do mundo, mas
isso não significa que a religião não continue a interferir na
política dos Estados, ela continua e fá-lo da melhor maneira:
através das pessoas. Atentemos a contraposição, entre católicos e
protestantes luteranos para verificarmos as respectivas diferenças
De um lado, temos os católicos, amantes do ritual
pecado-indulgência-penitência-oração-salvação, que têm como
exemplos, Portugal e Espanha. Doutro lado, temos os protestantes
luteranos mais adeptos do ritual pecado-fé-salvação, que têm como
exemplo os países nórdicos como a Noruega, a Dinamarca e a Suécia.
O que à partida poderia parecer desconexo, não o é de todo. Os
países católicos, acabam por ser conformados, pouco reformistas e
apologistas da ideia “água benta na boca e pecado na rua”, sendo
que os países protestantes revelam-se mais determinados, exigentes e
inconformados. Obviamente que tal conclusão pode ser considerada uma
generalização abusiva, o facto é que pelos dados do FMI de 2011
relativos ao PIB per capita, Portugal e Espanha situam-se nas
posições 27ª e 29ª, enquanto a Noruega a Dinamarca e a Suécia
ocupam as posições 3ª,7ª e 8ª, respectivamente.
Parece, por tudo isto,
embora por motivos distintos, que chegamos à mesma conclusão que
Weber chega na sua Ética protestante e o espírito do
capitalismo: A religião influencia a política e, se quisermos
ir mais longe, as concepções ideológicas.