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sábado, 22 de março de 2014

Entre a Religião e a Política

Aqui há uns dias, algures num desses fóruns de debate político que frequento, falava-se da forma como a religião influencia a política, ou melhor, a forma de fazer política. À partida, o debate pela sua pretensa abstracção poderia considerar-se infrutífero ou desnecessário, contudo, estaríamos enganados se assim o considerássemos.

Uma das maiores conquistas democráticas do mundo contemporâneo e da realidade política hodierna é a separação entre a religião e a política. A laicização chegou hoje a grande parte dos países do mundo, mas isso não significa que a religião não continue a interferir na política dos Estados, ela continua e fá-lo da melhor maneira: através das pessoas. Atentemos a contraposição, entre católicos e protestantes luteranos para verificarmos as respectivas diferenças De um lado, temos os católicos, amantes do ritual pecado-indulgência-penitência-oração-salvação, que têm como exemplos, Portugal e Espanha. Doutro lado, temos os protestantes luteranos mais adeptos do ritual pecado-fé-salvação, que têm como exemplo os países nórdicos como a Noruega, a Dinamarca e a Suécia. O que à partida poderia parecer desconexo, não o é de todo. Os países católicos, acabam por ser conformados, pouco reformistas e apologistas da ideia “água benta na boca e pecado na rua”, sendo que os países protestantes revelam-se mais determinados, exigentes e inconformados. Obviamente que tal conclusão pode ser considerada uma generalização abusiva, o facto é que pelos dados do FMI de 2011 relativos ao PIB per capita, Portugal e Espanha situam-se nas posições 27ª e 29ª, enquanto a Noruega a Dinamarca e a Suécia ocupam as posições 3ª,7ª e 8ª, respectivamente.

Parece, por tudo isto, embora por motivos distintos, que chegamos à mesma conclusão que Weber chega na sua Ética protestante e o espírito do capitalismo: A religião influencia a política e, se quisermos ir mais longe, as concepções ideológicas.