Foi no ano de 1580 neste preciso - e hoje, precioso - dia,
que falecera a que considero maior figura da literatura portuguesa. Luís Váz de
Camões, escreveu a sua opera magna: Os
Lusíadas, imortalizando assim, a glória - muitas vezes esquecida - do Povo
Português. Durante a viagem para a Índia e ao longo das impressionantes e admiradas
oitavas decassilábicas, são descritos episódios de exortação do povo português.
Da coragem de Viriato à determinação de Afonso Henriques, do amor impossível de
D. Inês e D. Pedro à Batalha de Aljubarrota, muitos são os temas tratados nesta
obra que marcaria - e marcará - todas as gerações vindouras.
Dia de Portugal é Dia de Camões. É Dia de Recordar os nossos
feitos, Dia de reviver o passado e encontrar força para vivermos o presente. É
sem dúvida um Dia de grande importância histórica para nós Portugueses e deve
ser para todos nós, um dia de introspeção e de construção das bases que
queremos implementar neste futuro próximo - e ao mesmo tempo, longínquo - em
Portugal. O peso da História pesa sobre nós. É um verdadeiro cargo que temos de
honrar em vez de desconsiderar como fazemos muitas vezes, que são sem dúvida,
demasiadas. É um peso do qual nos devemos orgulhar e pelo qual devemos trabalhar.
Uma Epopeia portuguesa do século XXI, narraria uma história bem diferente do
povo Português de há meio século atrás. Narraria uma história da qual muitos
portugueses não teriam orgulho, seria uma história de tentativa e de desalento,
uma história de tristeza mas também de resiliência que não pode desaparecer.
Seria uma história triste é certo, mas seria uma história por acabar e todos
sabemos o que é possível numa história que tem o seu fim ainda por escrever.
As circunstâncias em Portugal não são as melhores, é certo. A
crise financeira teima em ficar enquanto as previsões dos indicadores
financeiros igualmente persistem em falhar. O Orçamento Retificativo, está para
ser aprovado, provocado pela imprevista contração da economia portuguesa que em
vez de 1% do PIB, será na ordem dos 2.3% do PIB (2.7%, nas estatísticas da
OCDE). Justificado, pela diminuição do consumo privado e do investimento, esta
contração poderá ser ainda maior, consoante a deterioração do Mercado de
Trabalho e a redução do rendimento disponível das Famílias. De facto, o aumento
da Taxa de desemprego dos 16.4 para 18.2; a diminuição das exportações que
dependem da procura de países como a Espanha, Alemanha, França, Itália e Reino
Unido (também condicionados pela contração económica generalizada dos países da
União); a própria restrição do acesso ao financiamento de empresas não
financeiras causado pela deterioração das expetativas dos mercados financeiros,
são problemas de fundo que devem estar “em cima da mesa”, porque urgem em serem
resolvidos. Em Portugal parece existir - a meu ver - um diagnóstico correto do
problema, contudo, uma medicação errada. Esta medicação, será para uns - como
para mim já foram - as “Reformas do Estado”. É inegável que a Saúde, o Ensino,
a Segurança Social, as PPP’s, a Agricultura, a Pesca, são áreas que necessitam
de mudanças urgentes. Contudo, há uma questão que deve ser colocada a priori, que é: a quem cabe fazer estas
Reformas? A questão poderia suscitar discussão, mas não. É efetivamente aos
Partidos Políticos que cabe a resolução destes problemas. Pelo que se deve perguntar:
como podem os Partidos afirmar querer “Reformar o Estado”, se não se conseguem
reformar a eles próprios?
A questão fica no ar, no intuito, de neste dia de
introspeção, se partir de uma base comum, única e concreta que - a meu ver -
seria como que o ímpeto para a resolução de muitos dos nossos problemas atuais,
que tornaram Portugal no pais que é hoje, conformado com a situação e vendo uma
nova Epopeia como uma utopia, ao invés de algo possível e concretizável. Como
dissera Camões: “Jamais haverá ano novo
se continuar[mos] a copiar os erros dos anos velhos”.