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segunda-feira, 10 de junho de 2013

O 10 de Junho e a Epopeia Portuguesa…

Foi no ano de 1580 neste preciso - e hoje, precioso - dia, que falecera a que considero maior figura da literatura portuguesa. Luís Váz de Camões, escreveu a sua opera magna: Os Lusíadas, imortalizando assim, a glória - muitas vezes esquecida - do Povo Português. Durante a viagem para a Índia e ao longo das impressionantes e admiradas oitavas decassilábicas, são descritos episódios de exortação do povo português. Da coragem de Viriato à determinação de Afonso Henriques, do amor impossível de D. Inês e D. Pedro à Batalha de Aljubarrota, muitos são os temas tratados nesta obra que marcaria - e marcará - todas as gerações vindouras.

Dia de Portugal é Dia de Camões. É Dia de Recordar os nossos feitos, Dia de reviver o passado e encontrar força para vivermos o presente. É sem dúvida um Dia de grande importância histórica para nós Portugueses e deve ser para todos nós, um dia de introspeção e de construção das bases que queremos implementar neste futuro próximo - e ao mesmo tempo, longínquo - em Portugal. O peso da História pesa sobre nós. É um verdadeiro cargo que temos de honrar em vez de desconsiderar como fazemos muitas vezes, que são sem dúvida, demasiadas. É um peso do qual nos devemos orgulhar e pelo qual devemos trabalhar. Uma Epopeia portuguesa do século XXI, narraria uma história bem diferente do povo Português de há meio século atrás. Narraria uma história da qual muitos portugueses não teriam orgulho, seria uma história de tentativa e de desalento, uma história de tristeza mas também de resiliência que não pode desaparecer. Seria uma história triste é certo, mas seria uma história por acabar e todos sabemos o que é possível numa história que tem o seu fim ainda por escrever.
As circunstâncias em Portugal não são as melhores, é certo. A crise financeira teima em ficar enquanto as previsões dos indicadores financeiros igualmente persistem em falhar. O Orçamento Retificativo, está para ser aprovado, provocado pela imprevista contração da economia portuguesa que em vez de 1% do PIB, será na ordem dos 2.3% do PIB (2.7%, nas estatísticas da OCDE). Justificado, pela diminuição do consumo privado e do investimento, esta contração poderá ser ainda maior, consoante a deterioração do Mercado de Trabalho e a redução do rendimento disponível das Famílias. De facto, o aumento da Taxa de desemprego dos 16.4 para 18.2; a diminuição das exportações que dependem da procura de países como a Espanha, Alemanha, França, Itália e Reino Unido (também condicionados pela contração económica generalizada dos países da União); a própria restrição do acesso ao financiamento de empresas não financeiras causado pela deterioração das expetativas dos mercados financeiros, são problemas de fundo que devem estar “em cima da mesa”, porque urgem em serem resolvidos. Em Portugal parece existir - a meu ver - um diagnóstico correto do problema, contudo, uma medicação errada. Esta medicação, será para uns - como para mim já foram - as “Reformas do Estado”. É inegável que a Saúde, o Ensino, a Segurança Social, as PPP’s, a Agricultura, a Pesca, são áreas que necessitam de mudanças urgentes. Contudo, há uma questão que deve ser colocada a priori, que é: a quem cabe fazer estas Reformas? A questão poderia suscitar discussão, mas não. É efetivamente aos Partidos Políticos que cabe a resolução destes problemas. Pelo que se deve perguntar: como podem os Partidos afirmar querer “Reformar o Estado”, se não se conseguem reformar a eles próprios?

A questão fica no ar, no intuito, de neste dia de introspeção, se partir de uma base comum, única e concreta que - a meu ver - seria como que o ímpeto para a resolução de muitos dos nossos problemas atuais, que tornaram Portugal no pais que é hoje, conformado com a situação e vendo uma nova Epopeia como uma utopia, ao invés de algo possível e concretizável. Como dissera Camões: “Jamais haverá ano novo se continuar[mos] a copiar os erros dos anos velhos”.