No dia 25 de Janeiro foi eleito um Governo de Esquerda
Radical na Grécia: o Syriza. Um partido de esquerda com um programa anti-austeridade
que pretende vingar num país que não tem dinheiro para pagar salários. Não sou politólogo,
contudo, da última vez que não tive dinheiro para pagar uma refeição não vi o
preço da mesma ser reduzido nem me deixaram pagar depois, pelo que também não
me parece que o Governo de Alexis Tsipras vá ter tamanha sorte.
É interessante, diria até, muito interessante mesmo, ler o programa
eleitoral com o qual o Syriza venceu as eleições. Neste programa eleitoral,
algumas das medidas que me chamaram a atenção foram: i) reestruturação da dívida;
ii) flexibilização da interpretação do tratado orçamental para que os
investimentos públicos não contém para o défice; iii) aumento do investimento
público; iv) reposição dos cortes nos salários e nas pensões; v) investimento
no conhecimento; vi) regionalização do Estado; vi) reposição do salário mínimo
nos 751 euros. Da análise económica que tem sido feita a tal programa, estima-se
que o cumprimento do mesmo custe cerca de 20 mil milhões de euros para a
legislatura. Pelo que da análise social e política que posso fazer da situação e
que posso reduzir numa frase, diria: “Está tudo louco!”
A Grécia tem financiamento nos próximos 4 meses é certo, mas
não estou a ver as instituições Europeias compactuarem com tal situação. Independentemente
de Lagarde usar casaco branco e de Schauble parecer clamo, ninguém dá nada a ninguém.
Não me parece que a redução do valor da dívida vá ser possível, talvez uma extensão
da maturidade como em Portugal ou, numa hipótese mais remota, uma diminuição da
taxa de juro. Na verdade, numa óptica de futuro a curto prazo, não me parece
sequer que a reposição dos cortes nos salários e nas pensões e mesmo a
reposição do ordenado mínimo sejam medias possíveis.
A verdade para mim é simples e lógica, Yanis Varoufakis,
ministro das finanças grego, vai travar uma luta impossível de ganhar. Ninguém
empresta dinheiro sem sacrifícios e se o Estado Grego precisa de financiamento
para subsistir não pretendendo reduzir a despesa, resulta claro que cumprir
este programa eleitoral será manifestamente impossível. Concluo afirmando que na
Grécia ganhou a demagogia política, mas muito dificilmente sairá vitoriosa a irracionalidade
económica.