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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Brincar às ideologias radicais em plena crise económica: um caminho que não vai dar a lado nenhum

No dia 25 de Janeiro foi eleito um Governo de Esquerda Radical na Grécia: o Syriza. Um partido de esquerda com um programa anti-austeridade que pretende vingar num país que não tem dinheiro para pagar salários. Não sou politólogo, contudo, da última vez que não tive dinheiro para pagar uma refeição não vi o preço da mesma ser reduzido nem me deixaram pagar depois, pelo que também não me parece que o Governo de Alexis Tsipras vá ter tamanha sorte.

É interessante, diria até, muito interessante mesmo, ler o programa eleitoral com o qual o Syriza venceu as eleições. Neste programa eleitoral, algumas das medidas que me chamaram a atenção foram: i) reestruturação da dívida; ii) flexibilização da interpretação do tratado orçamental para que os investimentos públicos não contém para o défice; iii) aumento do investimento público; iv) reposição dos cortes nos salários e nas pensões; v) investimento no conhecimento; vi) regionalização do Estado; vi) reposição do salário mínimo nos 751 euros. Da análise económica que tem sido feita a tal programa, estima-se que o cumprimento do mesmo custe cerca de 20 mil milhões de euros para a legislatura. Pelo que da análise social e política que posso fazer da situação e que posso reduzir numa frase, diria: “Está tudo louco!”

A Grécia tem financiamento nos próximos 4 meses é certo, mas não estou a ver as instituições Europeias compactuarem com tal situação. Independentemente de Lagarde usar casaco branco e de Schauble parecer clamo, ninguém dá nada a ninguém. Não me parece que a redução do valor da dívida vá ser possível, talvez uma extensão da maturidade como em Portugal ou, numa hipótese mais remota, uma diminuição da taxa de juro. Na verdade, numa óptica de futuro a curto prazo, não me parece sequer que a reposição dos cortes nos salários e nas pensões e mesmo a reposição do ordenado mínimo sejam medias possíveis.

A verdade para mim é simples e lógica, Yanis Varoufakis, ministro das finanças grego, vai travar uma luta impossível de ganhar. Ninguém empresta dinheiro sem sacrifícios e se o Estado Grego precisa de financiamento para subsistir não pretendendo reduzir a despesa, resulta claro que cumprir este programa eleitoral será manifestamente impossível. Concluo afirmando que na Grécia ganhou a demagogia política, mas muito dificilmente sairá vitoriosa a irracionalidade económica.