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terça-feira, 10 de novembro de 2015

O que aconteceu hoje no meu País

Hoje no meu país foi desrespeitada a Democracia. O que aconteceu em Portugal foi o exercício do poder – não olhando à ética – em prol de interesses partidários que, no caso, são contrários aos interesses dos eleitores, havendo, portanto, uma fraude eleitoral clara sobre a expressão dos resultados das eleições legislativas.

Aquando da saída dos resultados eleitorais, expressei neste mesmo fórum a minha visão dos factos: “são a coligação e o PS que têm de formar governo. É inequívoco que a coligação e o PS têm de criar consensos e, portanto, fazer cedências no sentido de aqueles serem possíveis, pois é aqui que reside a maioria de 193 deputados.". Isto não aconteceu por falta de vontade do PS, tendo este seguido outro rumo. Vejamos o que aconteceu graças a isto.

Em primeiro lugar, a Assembleia da República não foi presidida pelo partido mais votado. Em segundo lugar, o programa de governo dos vencedores das eleições não foi aceite, sendo que, ainda antes da apresentação do mesmo, foi manifestada a intenção de chumbar esse programa, o que revela a idoneidade dos motivos desse chumbo. Em terceiro lugar, o partido que vence as eleições não tem a possibilidade de governar o país. Em quarto lugar, existe agora uma dependência do governo de partidos ideologicamente favoráveis a muitas das políticas não seguidas por Portugal até então, como a renegociação da dívida e saída do Euro. Em quinto lugar, tudo isto é feito sem legitimidade política, uma vez que este cenário nunca foi exposto aos eleitores. É incrível como todos estes acontecimentos têm algo em comum: eles são únicos na história da nossa Democracia.

De facto, como se pode observar, muito mudou nestes últimos dias em Portugal. Repare-se que o acordo, ou melhor dizendo, os acordos, foram assinados durante a hora de almoço. É claramente uma manifestação de consenso de ideias e de cedências em determinados pontos, contudo, como se percebe, são vários os consensos e diversas as cedências, não havendo espaço para um acordo único, mas para vários. É exactamente assim que as coisas devem começar, com desunião. Veja-se que, para além de não ser possível um só acordo entre todos os partidos, também não foi possível estes apresentarem uma só moção de rejeição, tendo sido apresentadas quatro.

Nesta circunstância é inevitável não revisitarmos a obra Churchill by Him­self e recordar a seguinte frase: "Indeed it has been said that democ­racy is the worst form of Gov­ern­ment except for all those other forms that have been tried from time to time...". Em suma, a realidade é dura mas é inequívoca, a Democracia não é perfeita e os tempos que se avizinham, estão prestes a demonstrar a sua imperfeição.