“Onde estamos e para onde vamos?”.
Essa devia ser a grande questão a que o característico debate deveria responder,
contudo parece que o carácter expectável da sociedade portuguesa se manifesta
mesmo nas discussões da Assembleia da República, o que transformou a suposta pergunta
a fazer na normal e já tão debatida versão: “De onde vimos e porque aqui
estamos?”
Para quem não se lembra, e não só
com o intuito de recordar, mas de deixar uma ideia para futura discussão, o Estado
Social surgiu num ambiente de pós I Guerra Mundial. O alargar da intervenção do
Estado na economia, pondo de lado a o clássico laissez faire ilustrativo do puro liberalismo económico, foi a base da nova teoria estadual. Assistência
social na área da saúde, bem como ao nível do ensino e da habitação são algumas das características
definidoras do atual Estado Social. Interessante será fazermos uma introspeção
relativamente à possibilidade de esse modelo estadual ser ainda o dos dias de
hoje. Poderá subsistir uma “segurança social” num país onde ocorreu uma
inversão da pirâmide etária, que outrora tinha uma base forte de população
trabalhadora enquanto hoje se verifica o contrário? Poderão os portugueses
continuar a ter benefícios que não eram de todo comportados pelo Estado português?
Poderá haver uma saúde e um ensino tendencialmente gratuito? Parece que os
tempos nos tem revelado que há de fato um desajustar da realidade face ao início
da década do séc. XX. Posto isto, percecionamos o quanto as restruturações que
foram feitas, pelo atual governo PSD-CDS, são necessárias. E isto não quer dizer
que a priori concordemos com todas
elas, simplesmente que as achamos tendencialmente necessárias. Não obstante, tal não releva ser tratado agora.
Interessante é também perceber o
que foi o debate do Estado Nação do dia de hoje (11 de Julho de 2012). Um debate campal, onde mais
uma vez a agressividade reinou na Assembleia e o ditado a tolerância é necessária para a coexistência dos
homens, permaneceu esquecido. Os partidos de esquerda continuam apologistas
da greve, da paralisação social e do não pagamento da dívida! A estes pergunto,
que tipo de portugueses somos nós? Dos que se demitem dos compromissos, batem o
pé e não avançam mais? O partido socialista permanece demitido do acordo com o
governo, recusando qualquer tipo de consenso! A este pergunto, se somos um povo que se divide ou
um povo que se une para resolver os problemas? Os partidos da maioria permanecem com o
mesmo discurso de ataque a Sócrates. A estes pergunto, quando iremos perder menos
tempo a julgar o passado para passarmos a definir o futuro?
Num
debate particular, onde me pareceu que pouco houve de Nação, creio que se errou
no teor fundamental de toda a discussão, que certamente deveria ter sido o defenir do rumo a
seguir pelo povo português. Apelo então, mais uma vez, à força dos portugueses,
à palavra, ao debate e à intervenção, pois apesar de na minha opinião estarmos
mais longe do precipício de que nos abeirávamos há um ano atrás, muito trabalho
há ainda a fazer.