Depois dos atentados de Nova York no dia 11 de
Setembro de 2001, a frase “we are all
americans” correu pela impressa internacional durante dias. Na altura o
impacto foi semelhante ao que hoje vivemos com a célebre frase “je suis charlie”, pense embora há 14
anos atrás o hashtag não fosse
utilizado como hiperlink.
O atentado jihadista
contra a redacção do jornal satírico Charlie
Hebdo, fez 12 mortos em Paris e no atentado às torres gémeas morreram cerca
de 3000 pessoas. Em comum a estas duas situações, está o facto de ambas terem sido atentados terroristas coordenados pela Al-Qaeda. Mas e o que têm as situações
de diferente para além de terem ocorrido em continentes diferentes? A resposta acertada será: dão-se por
motivos distintos. O 11 de Setembro foi motivado pela presença Americana na
Arábia Saudita, pelo lobby pró-Israel dos Estados Unidos, bem como pelas
sanções deste contra o Iraque. Já o atentado contra a redacção do jornal Charlie Hebdo, deu-se contra a liberdade
de expressão, ou, se preferirmos a outra visão da história, por profanação
contra o profeta Maomé.
É neste ponto último que pretendo focar esta minha
visão das coisas: na liberdade de opinião. Sempre que oiço falar deste grande
valor inerente a qualquer Estado de Direito Democrático, recordo-me de uma
frase célebre de Orwell: “Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o
direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir." E de facto é nisto que esta liberdade nos é útil, para discordar e propor um novo rumo. Esta liberdade
de expressão e de opinião é essencial para o desenvolvimento dos povos, foi por
isso que foi sempre uma das liberdades reprimidas pelos regimes autoritários,
cuja lógica se baseia numa só doutrina, num único pensamento e, por tanto, num só líder.
O atentado contra a redacção do Jornal Charlie Hebdo, foi mais um atentado
contra a liberdade de expressão. Foi mais notório para nós, inevitavelmente
porque geograficamente nos esta mais perto, mas todos os dias há novos casos de
violação deste direito fundamental. Tomei há pouco tempo conhecimento do caso de Raif Badwain que foi condenado a 10 anos
de prisão e a 50 chicotadas por ter criado um fórum online de debate social e
político na Arábia Saudita. Está é só uma das muitas causas de violação do
direito à liberdade de expressão que a Amnistia Internacional abraça como sua,
não fazendo distinção entre pessoas de países mais ou menos desenvolvidos,
ricos ou pobres, cristãos ou islamitas.
Causas como as de Raif percorrem também o mundo, infelizmente não chegam a todo o
lado e muitas não têm consequência prática por não terem um hashtag associado. De todo o modo é
importante percebermos que num mundo onde todos queremos, pelo menos ter a
possibilidade de dar a nossa opinião, hoje isso é manifestamente insuficiente
para mudar o que quer que seja.
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