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domingo, 18 de janeiro de 2015

E depois de Charlie Hebdo?

Depois dos atentados de Nova York no dia 11 de Setembro de 2001, a frase “we are all americans” correu pela impressa internacional durante dias. Na altura o impacto foi semelhante ao que hoje vivemos com a célebre frase “je suis charlie”, pense embora há 14 anos atrás o hashtag não fosse utilizado como hiperlink.
O atentado jihadista contra a redacção do jornal satírico Charlie Hebdo, fez 12 mortos em Paris e no atentado às torres gémeas morreram cerca de 3000 pessoas. Em comum a estas duas situações, está o facto de ambas terem sido atentados terroristas coordenados pela Al-Qaeda. Mas e o que têm as situações de diferente para além de terem ocorrido em continentes diferentes? A resposta acertada será: dão-se por motivos distintos. O 11 de Setembro foi motivado pela presença Americana na Arábia Saudita, pelo lobby pró-Israel dos Estados Unidos, bem como pelas sanções deste contra o Iraque. Já o atentado contra a redacção do jornal Charlie Hebdo, deu-se contra a liberdade de expressão, ou, se preferirmos a outra visão da história, por profanação contra o profeta Maomé.
É neste ponto último que pretendo focar esta minha visão das coisas: na liberdade de opinião. Sempre que oiço falar deste grande valor inerente a qualquer Estado de Direito Democrático, recordo-me de uma frase célebre de Orwell: “Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir." E de facto é nisto que esta liberdade nos é útil, para discordar e propor um novo rumo. Esta liberdade de expressão e de opinião é essencial para o desenvolvimento dos povos, foi por isso que foi sempre uma das liberdades reprimidas pelos regimes autoritários, cuja lógica se baseia numa só doutrina, num único pensamento e, por tanto, num só líder.
O atentado contra a redacção do Jornal Charlie Hebdo, foi mais um atentado contra a liberdade de expressão. Foi mais notório para nós, inevitavelmente porque geograficamente nos esta mais perto, mas todos os dias há novos casos de violação deste direito fundamental. Tomei há pouco tempo conhecimento do caso de Raif Badwain que foi condenado a 10 anos de prisão e a 50 chicotadas por ter criado um fórum online de debate social e político na Arábia Saudita. Está é só uma das muitas causas de violação do direito à liberdade de expressão que a Amnistia Internacional abraça como sua, não fazendo distinção entre pessoas de países mais ou menos desenvolvidos, ricos ou pobres, cristãos ou islamitas.
Causas como as de Raif percorrem também o mundo, infelizmente não chegam a todo o lado e muitas não têm consequência prática por não terem um hashtag associado. De todo o modo é importante percebermos que num mundo onde todos queremos, pelo menos ter a possibilidade de dar a nossa opinião, hoje isso é manifestamente insuficiente para mudar o que quer que seja.

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