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domingo, 28 de julho de 2013

Juventude, levantai-vos!

Ao longo da minha vida, tenho sempre orientado a minha atuação cívica e associativa para os jovens. A razão de ser desta minha orientação, não se prende com o simples facto de eu, com os meus vinte anos, me enquadrar ainda nesta quadra da vida que denominamos de juventude. Esta orientação prende-se com uma razão maior. A razão, é a simples crença que os jovens portugueses têm em si, um potencial tremendo para grandes feitos. Eu acredito que nós jovens podemos ser a solução em vez de parte do problema, podemos representar a ação em vez da inércia e podemos ser a criatividade e inovação neste Portugal em manutenção e subsistência.

Eu acredito, que é não só a irreverencia mas também a vontade de trabalhar por causas nobres e transversais à comunidade, que pautam os jovens de hoje. Bem sei que tal facto pode não estar à vista de todos nós e que é uma luta constante fazer os jovens aperceberem-se deste seu imenso potencial, contudo, é uma luta das quais não nos podemos demitir. Enquanto a razão desta insistente e persistente luta de consciencializar os jovens para a sua participação na comunidade não se desvanecer, a luta jamais acabará e nós jamais desistiremos. O Papa Francisco, no seu discurso de dia 25 de Julho, orientado para a juventude do Rio de Janeiro reforça esta ideia quando disse:  

Também para vocês e para todas as pessoas
repito: nunca desanimem, não percam a confiança, não deixem que se apague a esperança. A realidade pode mudar, o homem pode mudar.”

Os jovens de hoje, na sua generalidade, alienaram-se da crise e dificuldades do país. Apesar de esporádicas manifestações e saídas à rua, os jovens recusam-se a sair da sua área de conforto e a lutar por um Portugal, mais justo, coeso e solidário. Os jovens, estão desinteressados, demitiram-se da participação cívica e limitam-se a viver segundo os seus antigos hobbies, muitas vezes provenientes de importações culturais.

Os jovens, apesar desta imagem de laxismo e desinteresse, podem ser e fazer muito mais. Hoje a intervenção cívica não passa só pelas juventudes partidárias, o voluntariado, o associativismo, são hoje realidades em franco desenvolvimento quem têm e devem ser mais exploradas. É inegável que Portugal precisa de mudar, é inegável que todos queremos um novo rumo com mais opções e melhores qualidades de vida. Se assim é, todos nós temos de participar nesta mudança. Todos nós temos de prestar o nosso contributo. E não pensemos que por ele ser pequeno não interessa ou é escusado. Pois como dizia Edmund Burke:

“Ninguém cometeu maior erro do que aquele que nada fez só porque podia fazer muito pouco”.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

O (des)governo em tempos de crise

Há quem pense que um Governo em tempos de crise e recessão económica deve passar para o exterior uma mensagem de coesão, união e credibilidade. Há quem pense que em nome do conceito agostiniano de bem comum, os dissensos internos de um executivo, devem ser preteridos. Há quem pense inclusive, que um Governo representa um povo e que as suas atitudes influenciam país. A realidade demonstrou-nos algo diverso. O empirismo de Hume, diz-nos que o conhecimento se adquire com a experiência. Assim sendo, ao contrário das pressuposições iniciais, parece que o Governo tem antes como objetivo fomentar a instabilidade social, pugnar pelo descrédito dos mercados e gerar mais e mais dificuldades financeiras ao país.
Como se disse pelas redes sociais, “Portas bateu com a porta”, caberá agora perguntar se a deixou encostada ou se a fechou mesmo. Ao que parece, ficou decidido em reunião de Partido que os Ministros do CDS, Mota Soares e Assunção Cristas, depois de terem “deixado o seu cargo à disposição do partido”, se mantêm no executivo, pelo que Portas terá efetivamente fechado à porta. A saída do Ministro dos Negócios Estrageiros, foi tudo menos inconsequente. Os juros da dívida pública a 10 anos alcançaram os 8%, a bolsa Portuguesa caiu e arrastou as bolas europeias. A credibilidade do Governo foi afetada e a probabilidade de um novo regate surgiu. Há quem diga que este é um mero efeito momentâneo. Para bem te todos nós, assim o esperamos. Portas saiu do Governo devido à escolha - imprudente - da nova ministra das Finanças, afirmando que permanecer no executivo “não é politicamente sustentável, nem é pessoalmente exigível.”. Sabemos que as relações entre PSD e CDS nunca foram as melhores. Contudo, existiu manifestamente uma falta de comunicação e de tolerância no seio do Governo, que não deve ser tolerável pelos detentores da soberania. Neste momento, várias são as vozes que soam, umas pedem a dissolução da Assembleia, outras tão prestáveis apresentam já uma proposta concreta de novas legislativas para o dia 29 de Setembro, há até aquelas que se dispõem a ser a alternativa “forte, competente, e capaz de mobilizar os portugueses”.
Efetivamente, o sentido de Estado - conceito agora muito em voga – não existiu. A falta de senso por parte do executivo é preocupante e coloca todos os Portugueses numa situação cítica. Por um lado, Passos devia ter ouvido, por outro, Portas devia ter ficado, mas como este último referiu quando estava afastado da vida política: “Os quadros dos partidos, são normalmente, muito, muito, medíocres.”. De facto, foi isso que ele demonstrou com a sua saída do Governo: pura e simples mediocridade e egoísmo político. Apesar de muitas vozes insurgentes pretenderem a queda do Governo, este não pode cair à semelhança da Grécia. A oitava avaliação da troika está para breve e dela depende a nova tranche financeira do pacote dos 68 milhões de euros. Apesar de todas as ideologias pessoais, quer queiramos, quer não: A sustentabilidade do país, está neste momento dependente da sustentabilidade e credibilidade do Governo.