Há quem
pense que um Governo em tempos de crise e recessão económica deve passar para o
exterior uma mensagem de coesão, união e credibilidade. Há quem pense que em
nome do conceito agostiniano de bem comum,
os dissensos internos de um executivo, devem ser preteridos. Há quem pense
inclusive, que um Governo representa um povo e que as suas atitudes influenciam
país. A realidade demonstrou-nos algo diverso. O empirismo de Hume, diz-nos que
o conhecimento se adquire com a experiência. Assim sendo, ao contrário das
pressuposições iniciais, parece que o Governo tem antes como objetivo fomentar
a instabilidade social, pugnar pelo descrédito dos mercados e gerar mais e mais
dificuldades financeiras ao país.
Como se
disse pelas redes sociais, “Portas bateu com a porta”, caberá agora perguntar
se a deixou encostada ou se a fechou mesmo. Ao que parece, ficou decidido em
reunião de Partido que os Ministros do CDS, Mota Soares e Assunção Cristas,
depois de terem “deixado o seu cargo à disposição do partido”, se mantêm no
executivo, pelo que Portas terá efetivamente fechado à porta. A saída do Ministro
dos Negócios Estrageiros, foi tudo menos inconsequente. Os juros da dívida pública a 10 anos alcançaram os 8%, a bolsa
Portuguesa caiu e arrastou as bolas europeias. A credibilidade do Governo foi
afetada e a probabilidade de um novo regate surgiu. Há quem diga que este é um
mero efeito momentâneo. Para bem te
todos nós, assim o esperamos. Portas saiu do Governo devido à escolha -
imprudente - da nova ministra das Finanças, afirmando que permanecer no
executivo “não é politicamente sustentável, nem é pessoalmente exigível.”. Sabemos
que as relações entre PSD e CDS nunca foram as melhores. Contudo, existiu
manifestamente uma falta de comunicação e de tolerância no seio do Governo, que
não deve ser tolerável pelos detentores da soberania. Neste momento, várias
são as vozes que soam, umas pedem a dissolução da Assembleia, outras tão
prestáveis apresentam já uma proposta concreta de novas legislativas para o dia
29 de Setembro, há até aquelas que se dispõem a ser a alternativa “forte, competente, e capaz de mobilizar os portugueses”.
Efetivamente, o sentido de Estado - conceito agora
muito em voga – não existiu. A falta de senso por parte do executivo é
preocupante e coloca todos os Portugueses numa situação cítica. Por um lado,
Passos devia ter ouvido, por outro, Portas devia ter ficado, mas como este
último referiu quando estava afastado da vida política: “Os quadros
dos partidos, são normalmente, muito, muito, medíocres.”. De facto, foi isso
que ele demonstrou com a sua saída do Governo: pura e simples mediocridade e
egoísmo político. Apesar de muitas vozes insurgentes
pretenderem a queda do Governo, este não pode cair à semelhança da Grécia. A
oitava avaliação da troika está para
breve e dela depende a nova tranche
financeira do pacote dos 68 milhões de euros. Apesar de todas as ideologias
pessoais, quer queiramos, quer não: A
sustentabilidade do país, está neste momento dependente da sustentabilidade e
credibilidade do Governo.