Pasmo-me quando o primeiro-ministro tem de negociar
com os jornalistas um momento para as fotografias, para que o deixem “gozar as
férias com tranquilidade”. A inoportunidade despicienda dos jornalistas a
atacarem os membros do governo em férias é tanto inadmissível, como um ataque
ao bom senso! Não falo de uma pontual notícia sobre o assunto, imperiosa para
satisfazer a “cusquice” tipicamente portuguesa. Agora uma constante “massa
jornalística” insistente e sedente por comentários e fotografias é,
manifestamente, excessivo!
A “polémica das férias” dos governantes é também
algo tipicamente português, o “Zé” tem uma necessidade constante de saber o que
os “da televisão” fazem, quando fazem e como fazem. E para além disso, como se
não bastassem as manchetes de jornais e dispêndio de tempo televisivo com tais
insignificâncias, surgem comentários como o primeiro-ministro “está de férias
com o dinheiro dos pobres”. Acrescento ainda a ilustre e notável contribuição
de uma vendedora que disse qualquer coisa como: “15 guarda-costas? Não percebo
para que é que ele precisa daquilo! Eu não tenho 15 guarda-costas, o que é que
ele é mais que eu?”. Não posso deixar sem resposta, esta nobre cidadã que tanto
contribuiu para os canais sensacionalistas portugueses. Vejamos, este governo,
foi responsável pelo corte dos subsídios de férias e de Natal, aumentou as
taxas moderadoras, reduziu os inacreditáveis benefícios dos transportes, como o
metro de Lisboa (que chegava a custar, a alguns, 30 cêntimos por dia), cortou nos
orçamentos das autarquias (área a ser reformada), aumentou os impostos e
prepara-se para cortar algumas inacreditáveis fundações. Cortes duros para
reduzir a “gordura do estado” e reformar um estado social impossível de
subsistir. Certamente que estas senhora preferia continuar com os seus
“direitos adquiridos”, mas estes, não passaram de uma miragem e agora é tempo
de ver a realidade. Então, uma vez que o primeiro-ministro teve de se sujeitar
às medidas impopulares que, embora necessárias, enfurecem os cidadãos, talvez
ele precise mais dos seguranças do que a senhora, que se chatear os seus
clientes com um aumento de preços, estes simplesmente mudam de banca!