O que somos nós? Creio que esta não é uma pergunta a qual para responder basta folhear um qualquer dicionário que tenhamos em casa. De acordo com um, juventude significa: “quadra da vida em que se é jovem”. Será isto que somos? Uma mera fase que demarca a adolescência? Recuso-me a definir este conceito com toda esta objetividade. Recuso-me a não ver para além do simples conceito. Parece-me a mim que cabe-nos a nós definirmos esta conceção, preencher a sua essência, completá-la e reformula-la. Mais que uma fase da vida, podemos ser uma força de mudança, podemos ser a união que o país precisa, podemos ser o vetor de inovação de criatividade necessária neste momento. Podemos ser os que vão para além da ideia escrita no papel, os que arriscam e querem ir mais longe e conhecer o que esta para além do horizonte. Podemos desempenhar o papel dos que se preocupam, dos que sabem que as coisas estão mal e as querem mudar, em vez dos que nada querem fazer, apesar de todas as infindáveis criticas que apontam. A geração de hoje a que chamamos juventude é tudo menos uma marca de mudança, representa tudo menos a prossecução do sonho de alcançar algo melhor. Hoje em dia, a nossa geração é pautada pelo abuso de álcool, drogas, entretenimento televisivo, espaços noturnos, música, internet, etc. Vivemos numa geração de modas, onde simplesmente quem não tem determinada marca de roupa, quem não vai a certo sítio durante a saída á noite, quem não vê um qualquer “reality show”, simplesmente não é “social”. Vivemos numa geração sem identidade própria, as modas tornam-se os ideais de vida de muito jovens sendo a “soci(in)abilidade” o objetivo de vida de muitos. A juventude de hoje, como dizia, vive de forma “online” e o “facebook” é para muitos a segunda, senão a primeira coisa que os jovens fazem quando chegam a casa, as vidas de qualquer uma são postadas em murais, memorizadas em frases e fotografias, em vez de simplesmente vividas. O álcool é o melhor amigo de qualquer adolescente numa saída à noite, em vez daquela conversa entre amigos. Somos uma geração preguiçosa onde poucos fazem frente a esta realidade. Uma geração que fala mal das coisas, mas simplesmente não as compreende porque isso dá trabalho. Uma geração afastada e desagregada incapaz de se unir para construir algo. Uma geração sem identidade, friso de novo, vivendo de exportações culturais. Deixamos de criar, deixamos de inovar, deixamos simplesmente de pensar, de ver a realidade como ela é e de ter a vontade de mudar. Há que fazer face a esta crise que nos marca a nós jovens. Há que marcar a nossa geração. Há que redefini-la, Há que lhe dar um novo conceito e para isso todos somos precisos.
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