Quando por momentos saímos do nosso pequeno mundo de
afazeres infindáveis, pensamos… Pensamos que estamos neste sítio maravilhoso,
mas que este sítio, será por nós contemplado por pouco tempo, o que nos leva a
pensar que somos “só mais um” ser a habitar este planeta, um ser que se limita
a passar o tempo com mais ou menos tarefas, embebido numa rotina individual...Nesse
momento, numa brevidade rara de introspeção, por não querermos ser “só mais um”,
desejamos deixar a nossa marca no mundo. Parece-me a mim uma inevitabilidade
querer deixar uma marca nossa no mundo! Sabemos que isso é possível, porque a
nossa memória histórica mais ou menos desenvolvida consegue recordar pessoas
como, Bell com o telefone, Edison com a lâmpada, os irmãos Lumière e Georges Méliès com o
cinema, Leonardo da Vinci com a
pintura (entre outros domínios), os irmão Montgolfier
com o balão de ar quente, Fleming com
a penicilina, Martin Luther King na
luta contra o racismo, e poderíamos enumerar muitos mais seres que
mudaram o mundo e marcaram o rumo da humanidade. Nessa atura pensamos que queremos
também que a geração vindoura se lembre de nós e queremos marcar o rumo da
história, quer seja pela descoberta da cura para uma doença, da luta por um ideal,
da invenção de uma nova tecnologia, de uma obra de arte… por qualquer coisa.
Mas infelizmente esse pensamento passa demasiado rápido para o levarmos a sério
e voltamos ao nosso pequeno mundo de afazeres. Por segundos, cada um de nós
pensou que era possível mudar o mundo de determinada forma, mas por qualquer razão,
nada fazemos para tal. Será o sonho demasiado grande? Não pensamos nisso, pois
estamos cegos! Cegos numa geração standardizada,
com os mesmos gostos, as mesmas opiniões, os mesmo hobbies, as mesmas roupas, as mesmas músicas… Enfrentamos uma perda
de identidade tremenda que se manifesta pela última vez que abrimos um livro de
literatura portuguesa, visitámos um museu, fomos ao teatro ou assistimos a uma sessão
de fados! Na verdade esta perda de identidade é transversal a esta geração. Uma
geração que não procura conhecer a história, não procura seguir a cultura e
conhecer o património de um povo que outrora foi bravo, uma geração sem sede em
conhecer, em intervir na sociedade, em criar opinião e em simplesmente pensar
pela própria cabeça, criando novas ideias e tendências… Inevitável e tristemente,
fazemos parte de uma geração, onde não existe um sentimento de pretensa a uma
mesma comunidade. Sentimento este, causado pela tendência individualista que nos impede de querermos verdadeiramente
contribuir com os nossos sonhos, projetos e ideias para um mundo que não parece
nosso, mas que de fato o é…