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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Uma verdade inevitável…


Quando por momentos saímos do nosso pequeno mundo de afazeres infindáveis, pensamos… Pensamos que estamos neste sítio maravilhoso, mas que este sítio, será por nós contemplado por pouco tempo, o que nos leva a pensar que somos “só mais um” ser a habitar este planeta, um ser que se limita a passar o tempo com mais ou menos tarefas, embebido numa rotina individual...Nesse momento, numa brevidade rara de introspeção, por não querermos ser “só mais um”, desejamos deixar a nossa marca no mundo. Parece-me a mim uma inevitabilidade querer deixar uma marca nossa no mundo! Sabemos que isso é possível, porque a nossa memória histórica mais ou menos desenvolvida consegue recordar pessoas como, Bell com o telefone, Edison com a lâmpada, os irmãos Lumière e Georges Méliès com o cinema, Leonardo da Vinci com a pintura (entre outros domínios), os irmão Montgolfier com o balão de ar quente, Fleming com a penicilina, Martin Luther King na luta contra o racismo, e poderíamos enumerar muitos mais seres que mudaram o mundo e marcaram o rumo da humanidade. Nessa atura pensamos que queremos também que a geração vindoura se lembre de nós e queremos marcar o rumo da história, quer seja pela descoberta da cura para uma doença, da luta por um ideal, da invenção de uma nova tecnologia, de uma obra de arte… por qualquer coisa. Mas infelizmente esse pensamento passa demasiado rápido para o levarmos a sério e voltamos ao nosso pequeno mundo de afazeres. Por segundos, cada um de nós pensou que era possível mudar o mundo de determinada forma, mas por qualquer razão, nada fazemos para tal. Será o sonho demasiado grande? Não pensamos nisso, pois estamos cegos! Cegos numa geração standardizada, com os mesmos gostos, as mesmas opiniões, os mesmo hobbies, as mesmas roupas, as mesmas músicas… Enfrentamos uma perda de identidade tremenda que se manifesta pela última vez que abrimos um livro de literatura portuguesa, visitámos um museu, fomos ao teatro ou assistimos a uma sessão de fados! Na verdade esta perda de identidade é transversal a esta geração. Uma geração que não procura conhecer a história, não procura seguir a cultura e conhecer o património de um povo que outrora foi bravo, uma geração sem sede em conhecer, em intervir na sociedade, em criar opinião e em simplesmente pensar pela própria cabeça, criando novas ideias e tendências… Inevitável e tristemente, fazemos parte de uma geração, onde não existe um sentimento de pretensa a uma mesma comunidade. Sentimento este, causado pela tendência individualista que nos impede de querermos verdadeiramente contribuir com os nossos sonhos, projetos e ideias para um mundo que não parece nosso, mas que de fato o é…