O ser humano
de hoje, esta em grande parte dissociado dos valores porque outrora sonhou
pautar-se, bem como o mundo em que vive, esta diferente do que ambicionava no início.
O individualismo reina nas nossas relações interpessoais, a empatia cede
perante o egoísmo, e o amor perante a raiva. A tendência do homem em dar mais
de si, ser melhor e maior, parece hoje uma ilusão perante as constantes notícias
de guerra e divergência em todo o mundo. Não é só na esfera mundial, é também no
nosso país. Em Portugal, a pobreza, a mendicidade, os roubos, as tristezas aumentam.
As pessoas não se ajudam, não se preocupam mais com as outras. O engano, a indiferença
reina, e hoje, apesar de temos casas maiores, fábricas, pontes, aviões, redes
sociais, somos pessoas mais pequenas, mais fechadas no nosso progresso pessoal,
esquecidas de olhar para o outro.
Somos
pequenos, bastante pequenos, e estamos cada vez mais distantes uns dos outros.
Escondemo-nos das nossas responsabilidades e, por instantes, sonhamos não
tê-las. Perdemos tempo a pensar em tal coisa… Precisamos de nos unir, construir
e edificar a nossa sociedade em bases mais fortes e não nos velhos e gastos
alicerces de hoje. Só com uma sociedade mais unida, podemos chegar a consenso
sobre as soluções para os problemas em que nos encontramos. Precisamos
urgentemente de nos descobrir a nós, e para tal o outro é imprescindível. Precisamos
de recuperar os valores que hipotecamos, revisitar o fado e o teatro português,
parar de importar cultura enquanto deixamos a nossa apodrecer. Precisamos de nos
ajudarmos mutuamente, de deixar o egocentrismo e o egoísmo para andarmos para a
frente. Afinal de contas, é isso mesmo que precisamos…andar para frente.