Deixem-me
começar por afirmar que não sou ateu, mas também não sou católico
nem me considero cristão, apesar de ter sido batizado, ainda que
numa idade anterior à que me permite escolher a roupa que visto. Na
verdade sinto um pouco de indiferença quanto à Religião, apesar de
não admitir que sou ateu porque sinto que quero acreditar em algo,
mas não sei bem no quê. Enfim, tudo isto para dizer que sou um
crente em construção, tanto quanto ao objeto da crença como quanto
à fé na mesma.
Deixando-me
de floreados e indo ao que interessa, a Igreja nos últimos tempos
têm agido de uma forma que reporto de insólita, atentando contra o
conservadorismo clássico que lhe reconhecia. Na verdade, é com
agrado que registo a abertura à discussão pública de temas pouco
consensuais entre a comunidade católica, através do inquérito
enviado pelo Vaticano às conferências
episcopais
espalhadas pelo mundo. É com igual contentamento que tomei
conhecimento da expulsão do bispo de Limburg, conhecido por levar um
estilo de vida desconforme com os ensinamentos religiosos. A meu ver,
todas estas novidades fazem parte de algo maior, refiro-me, claro, à
pretensão de reverter a situação de indiferença com que é olhada
a Religião nos dias de hoje.
É
inegável que o papel da Igreja tem mudado ao longo dos tempos e
isso está bem presente na encíclica sollicitudo
rei socialis
de João Paulo II. Contudo, o problema hoje não é a Igreja aumentar a
sua presença neste ou naquele domínio do quotidiano, o problema é
a Igreja não estar sequer presente e, no caso de estar, a sua presença não ser notada.