Páginas

sábado, 9 de novembro de 2013

A Igreja nos dias de hoje

Deixem-me começar por afirmar que não sou ateu, mas também não sou católico nem me considero cristão, apesar de ter sido batizado, ainda que numa idade anterior à que me permite escolher a roupa que visto. Na verdade sinto um pouco de indiferença quanto à Religião, apesar de não admitir que sou ateu porque sinto que quero acreditar em algo, mas não sei bem no quê. Enfim, tudo isto para dizer que sou um crente em construção, tanto quanto ao objeto da crença como quanto à fé na mesma.

Deixando-me de floreados e indo ao que interessa, a Igreja nos últimos tempos têm agido de uma forma que reporto de insólita, atentando contra o conservadorismo clássico que lhe reconhecia. Na verdade, é com agrado que registo a abertura à discussão pública de temas pouco consensuais entre a comunidade católica, através do inquérito enviado pelo Vaticano às conferências episcopais espalhadas pelo mundo. É com igual contentamento que tomei conhecimento da expulsão do bispo de Limburg, conhecido por levar um estilo de vida desconforme com os ensinamentos religiosos. A meu ver, todas estas novidades fazem parte de algo maior, refiro-me, claro, à pretensão de reverter a situação de indiferença com que é olhada a Religião nos dias de hoje.

É inegável que o papel da Igreja tem mudado ao longo dos  tempos e isso está bem presente na encíclica sollicitudo rei socialis de João Paulo II. Contudo, o problema hoje não é a Igreja aumentar a sua presença neste ou naquele domínio do quotidiano, o problema é a Igreja não estar sequer presente e, no caso de estar, a sua presença não ser notada.