Com
a crise internacional de 2008 chegou a crise das dívidas soberanas
que se alastrou por toda a Europa. Grécia, Irlanda, Portugal,
Espanha, Chipre, foram as primeiras peças do dominó a cair. No meio
das dificuldades financeiras das diversas economias Europeias e da
consequente falta de credibilidade geradora das
dificuldades de
acesso ao crédito, chegaram os diversos programas de ajuda externa.
Conditio
sine qua non
destes
programas, eram as políticas rígidas de contenção de custos, de
redução de despesa, de cortes na Administração e muitas medidas
de aquisição de receita como são exemplo as nossas conhecidas
privatizações. A esta fase da política Portuguesa, a que uns
chamam de “Austeridade” e outros apelidam
de “Inevitabilidade”, estão associadas grandes mudanças na
estrutura socioeconómica da população portuguesa. Apesar de
mudanças negativas, como o aumento da taxa de desemprego até aos
17,4% (e até aos 40% no desemprego jovem), a crise trouxe também
mudanças positivas, como p.e
o aumento da taxa de poupança das famílias que subiu dos cerca de
6% em 2008 para os 10.6% em 2012.
Desde
2011 e com o agravar da crise, os problemas sociais e dificuldades
económicas têm vindo a aumentar. As gerações dos tempos mais
recentes não tiveram as mesmas oportunidades que as gerações
anteriores. A oportunidade de estudar, de obter emprego, de
constituir família e de deter habitação não são as mesmas que
existiam há 20 anos. Essa diferença, ou melhor, a construção
dessa diferença, foi causada por diversos fatores, como : i)
políticas
públicas deficitárias e despesistas; ii) uma classe política
maioritariamente incompetente; iii) e um desinteresse generalizado da
população na participação cívica. Todos estes fatores - e outros
poderiam aqui ser apontados – constituíram a falta de
solidariedade intergeracional, que consumou o Portugal dos dias de
hoje.
Posto
isto, haveriam dois caminhos possíveis para esta geração
“pós-crise” seguir. Um primeiro, seria o de enveredar pela
discordância com as anteriores gerações que colocaram o país no
estado em que hoje este
se encontra. Um segundo, seria o de pôr de lado a tristeza e a magoa
e seguir em frente fazendo parte da solução para sair desta crise,
evitando uma querela entre gerações. Parece-me que este último,
para além de fazer mais sentido, é o que esta a ser seguido pelos
jovens de hoje. São manifestações desse caminho, a força e
empenho crescentes com que os jovens encaram o ensino superior, a
constante criação de associações compostas por jovens com
objetivos sociais e mesmo a participação dos mais novos na
cidadania e na política ativa. Cabe reter que apesar deste caminho
de revitalização e de mudança, os
jovens não se esquecerão do Portugal que herdaram
e, recordado uma frase de Hollande, esta "geração do pós-crise vai ajustar contas com os governantes de hoje".