1. Podemos ler na moção «Defender a Democracia» apresentada por esta Distrital no Congresso Nacional da JSD que
“O nível de satisfação dos Portugueses com a Democracia é muito reduzido”.
Depois desta afirmação em Abril de 2016 ocorreram eventos de grande impacto
internacional, designadamente, o Referendo para a saída do Reino Unido da União
Europeia e a eleição de Donald Trump enquanto Presidente dos Estados Unidos da
América. Daqui parece resultar que o descontentamento dos portugueses para com
o Regime Democrático pode encontrar-se noutros lugares do mundo.
2.Na verdade, nesses lugares que
aqui servem de exemplo, verifica-se que o descontentando com a Democracia – o
que engloba aqui a desilusão dos eleitores com a classe política e com a forma
como o próprio sistema político está configurado – passou de uma fase de
abstenção para uma fase de reacção. Esta sim talvez seja uma conclusão mais
importante: a manutenção de um
descontentamento generalizado dos eleitores começou a gerar resultados que vão
para além da abstenção e que desafiam a forma como temos encarado a política
nas últimas décadas.
3. Esta última constatação deve
preocupar-nos não só porque no mundo em que vivemos o que acontece noutros
países tem impacto directo em Portugal, mas principalmente porque o que
acontece aos outros também pode acontecer connosco. E é precisamente com esse sentido de urgência e com a noção dessa
necessidade que devemos encarar o debate em torno da reforma do nosso sistema
político.
4. Como referi, o contributo da
nossa estrutura Distrital sobre este tema foi dado em sede própria e, apesar de
os órgãos nacionais competentes não lhe terem dado ainda o seguimento devido,
algumas das medidas que propusemos já foram discutidas na Comissão Eventual
para o Reforço da Transparência no Exercício de Funções Públicas junto da
Assembleia de República (AR). Apesar disso, os problemas que se vivem em
Portugal não se reduzem a questões de transparência e, como tal, não se
resolvem só com as alterações que podemos ver nas 13 propostas de Lei já
apresentadas na Comissão da AR.
5. O compromisso que precisamos de estabelecer com os cidadãos de forma a
diminuir o seu descontentamento e a aumentar a sua participação é um
compromisso que exige a credibilização e a renovação das bases do nosso sistema
político. Esta credibilização só pode ser feita com uma reforma dos
partidos políticos que foque a sua atenção na participação da sociedade civil,
com uma reforma geral do quadro legislativo que aumente a transparência e crie
certos impedimentos e incompatibilidades àqueles que exercem funções políticas
e, acima de tudo, com uma profunda reforma eleitoral que aproxime os eleitores
dos eleitos e que possibilite sempre candidaturas independentes
6. Sem mais demoras, estas
propostas deveriam ser para nós uma missão e não uma bandeira num programa
eleitoral, devíamos ser os primeiros a lançar estas reformas para a discussão
política e não aqueles que esperam que a agenda seja definida por outros
interesses. Nós, os jovens, devíamos ser os primeiros a levantarmo-nos para
defender a nossa Democracia. Estamos à
espera de quê?
O artigo original foi publicado aqui.
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